quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Como Santos=Dumont fará seu vôo sobre Nova Iorque



Santos=Dumont voando sobre o globe céleste de la l'Exposition Universelle de 1900 en Paris 
com o seu dirigível Numero quatro.


O sonho de Santos=Dumont de sobrevoar as principais cidades começou em 1900, quando ele voou sobre l'Exposition Universelle com seu dirigível número quatro. Ninguém retratou a aventura de voar sobre as maiores cidades do mundo, tal qual Nova Iorque, como Livingstone Cooper na edição americana da revista Metropolitan.


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Faça uma viagem em um conceito moderno de steampunk vôo de Santos = Dumont em Nova York, disse na iminência de sua visita ao EUA em março de 1902.

Uma viagem aérea acima dos arranha-céus, com Spire de São Paulo como um Turning Stake, e uma vista panorâmica da Brooklyn Bridge.

Por LIVINGSTON COOPER.

Este verão vamos testemunhar em Nova York, a realização daquilo que os criadores de admiráveis imagens há muito tempo começaram a conceber a partir das invenções da imaginação, tornando o ar superior como estrada para viajar. O que Paris já viu, vamos ver, e o homem que conduziu seu dirigível em torno da Torre Eiffel vai fazer um passeio ao redor da torre da St. Paul’s Church o ponto de inflexão em uma viagem aérea cobrindo o comprimento e a largura da ilha de Manhattan. Ele vai navegar entre os arranha-céus, ao arredor dos edifícios históricos, se afastando deles, após o seu contorno, vai refazer o seu curso até o ponto inicial.

Santos=Dumont consulta as horas em seu novo Cartier

Quando Santos=Dumont se elevar no ar em algum lugar na parte alta da cidade, milhões de nova-iorquinos vão lhe desejar boa viagem, e milhões de rostos vão olhar para cima para ver seu vôo. Os gritos de apitos a vapor vão cumprimentá-lo ao longo do caminho, enquanto as janelas e telhados vibrarão com sua visão, como massas acenando lenços e bandeiras.
Dirigível Santos=Dumont Numero Nove atracado em frente a seu apartamento em Paris

Nova York não vai se referir a esta apresentação como uma maravilha, mas simplesmente como uma novidade. Será uma coisa a muito esperada, pois a muito tempo fora prometida. A maravilha é que toda a promessa envolvida em seu primeiro balão, que foi para os ares no século XVIII, permanece apenas parcialmente cumprida nesses primeiros anos do século XX. Nova York vai aceitar o Aeroyacht, quando vier em sua perfeição, tal como ela aceitou o automóvel, dissipando-se a novidade, tornando-a tão familiar como muitas outras coisas são que teriam deixado os nossos bisavós de joelhos em oração pedindo pela proteção contra o poder de tal Belzebu. Nós nem iríamos tentar passar sem qualquer uma dessas coisas maravilhosas um dia se quer, estamos chegando mais uma vez na mesma situação. Santos=Dumont nos trará apenas uma sugestão, afinal de contas, apesar de muito promissora, será uma outra conveniência a qual viemos a sonhar, a qual estamos fadados a possuir algum dia. Por trás do entusiasmo dew participar suas exposições, não haverá mais de exultação sobre a sua realização e do que é esperança acelerada para a solução rápida do problema da dirigibilidade no ar com a liberdade e a rapidez dos pássaros.

Santos=Dumont vai cruzar com seu dirigível a ponte do Brooklyn. O brasileiro ousado é apenas um jovem, mal chegou aos trinta anos, mas ele ainda era um menino, ao qual se podia confiar o acelerador de uma das locomotivas usadas nas vastas fazendas cafeeiras de seu pai, que no momento voa sobre o grande vão do East River, e a maravilha da suas faixas atravessadas por milhões. Já não é uma maravilha para os nova-iorquinos, que estarão aos milhares espalhados em largos promenades e grandes plataformas, vendo o aeronauta em seu vôo. Seus olhares vão segui-lo quando ele passar acima das colossais estruturas montadas, sem que se apercebam do fato de que as duas novas maravilhas estão juntas no mesmo ponto de vista - ambos só prometem aquilo que um dia serão. Eles sabem que em pouco tempo vão caminhar e dirigir em sua grande, nova ponte, mas agora, sua única ambição, como eles vêem a cena, vai ser a de algum dia passar voando por cima dela. Quando algum dia acontecer - mas por que antecipar a decadência da maravilha, em ambiente comum que reuniram o tamanho, a beleza e a velocidade deste ou daquele voador milionário?
Santos=Dumont no St. Paul Building na Bradway com a Ann Street

Uma rota que provavelmente será realizada por Santos=Dumont seria um trajeto rumo ao porto e a baía. Isso seria interessante de muitas maneiras, e o vôo da aeronave em torno da estátua da liberdade, ou mais para baixo, cruzando o Narrows e para trás, seria um estranho contraste que a nova embarcação apresentaria para com a frota de embarcações a vapor, que tentariam acompanhar o ritmo dele sobre as águas do porto e da baía.

Das margens pareceria um pássaro gigante pairando no ar sobre a frota. Ainda mais emocionante que a exibição deveria ser se o aeronauta se colocasse em velocidade para tentar conclusões com alguns dos rápidos iates a vapor ou grandes barcos de passageiros. A aeronave contra um dos barcos palacianos que cruzam entre Nova York e Atlantic Highlands poderia ser uma bela prova. Valeria a pena viajar quilômetros para assistir. A viagem para cima e para baixo do Hudson seria uma outra demonstração na qual Santos=Dumont poderia exibir as habilidades de seu ofício. A aeronave voando lado a lado com as paredes íngremes das Palisades seria uma cena estranhamente pitoresca.

Quais quer que seja as viagens decididas pelo aeronauta, durante sua estadia em Nova York, nenhuma seria mais interessante do que aquelas que seriam realizadas sobre a cidade em si. A elas não vai faltar o elemento da excitação, para os prédios altos , isolados ou em grupos, em várias seções de Nova York e Brooklyn, serviriam como balizadores de uma grande variedade de cursos. Estes podem ser definidos com vista a testar a dirigibilidade da aeronave em qualquer direção possível em uma viagem única, proporcionando indicações definitivas sobre o grau de controle possível sob quaisquer condições oferecidas. Manobras triangulares, de quatro pontas, cursos de frente e verso, em ziguezague, com pontos pré-demarcados, as performances do dirigível serão tidas com de grande valia, e as possibilidades que existem nesse feito são de grande importância se viagem aérea vier a se concretizar, mesmo se para fins de lazer, a coisa pratica que o mundo estava procurando. A aeronave pode ser ainda mais desenvolvida do que Santos=Dumont já fez, e ainda ser apenas mais um brinquedo para os mais aventureiros. Mas não vai cumprir a sua missão até que, como o automóvel, possa ser desenvolvida de alguma forma para servir a propósitos mais úteis.


Esta é uma visão mais séria do assunto, no entanto, do que será tratada pela multidão, cujos olhos seguirão Santos=Dumont em suas viagens aventureiras, cujas vozes vão subir na forma de ruidosa saudação de todos os pontos onde as pessoas vão em massa para observá-lo. Serão vibrantes de excitação quando seu dócil leviatã do ar descer rapidamente das claras alturas para escolher seu caminho dentre as estruturas imponentes e se deslocar de forma errática rumo a algum ponto demarcado. Não incorrerá em qualquer risco para ministrar o seu apetite pela sensação. A forma de prevenção de desastre será a glória do momento. No entanto, a completa glória de seu significado virá mais tarde com a sóbria reflexão sobre o que isso traz à humanidade em sua constante busca por acelerar o progresso, que despreza os limites.



Infelizmente, esse vôo sobre Nova Iorque nunca aconteceu!

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