quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Como Santos=Dumont fará seu vôo sobre Nova Iorque



Santos=Dumont voando sobre o globe céleste de la l'Exposition Universelle de 1900 en Paris 
com o seu dirigível Numero quatro.


O sonho de Santos=Dumont de sobrevoar as principais cidades começou em 1900, quando ele voou sobre l'Exposition Universelle com seu dirigível número quatro. Ninguém retratou a aventura de voar sobre as maiores cidades do mundo, tal qual Nova Iorque, como Livingstone Cooper na edição americana da revista Metropolitan.


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Faça uma viagem em um conceito moderno de steampunk vôo de Santos = Dumont em Nova York, disse na iminência de sua visita ao EUA em março de 1902.

Uma viagem aérea acima dos arranha-céus, com Spire de São Paulo como um Turning Stake, e uma vista panorâmica da Brooklyn Bridge.

Por LIVINGSTON COOPER.

Este verão vamos testemunhar em Nova York, a realização daquilo que os criadores de admiráveis imagens há muito tempo começaram a conceber a partir das invenções da imaginação, tornando o ar superior como estrada para viajar. O que Paris já viu, vamos ver, e o homem que conduziu seu dirigível em torno da Torre Eiffel vai fazer um passeio ao redor da torre da St. Paul’s Church o ponto de inflexão em uma viagem aérea cobrindo o comprimento e a largura da ilha de Manhattan. Ele vai navegar entre os arranha-céus, ao arredor dos edifícios históricos, se afastando deles, após o seu contorno, vai refazer o seu curso até o ponto inicial.

Santos=Dumont consulta as horas em seu novo Cartier

Quando Santos=Dumont se elevar no ar em algum lugar na parte alta da cidade, milhões de nova-iorquinos vão lhe desejar boa viagem, e milhões de rostos vão olhar para cima para ver seu vôo. Os gritos de apitos a vapor vão cumprimentá-lo ao longo do caminho, enquanto as janelas e telhados vibrarão com sua visão, como massas acenando lenços e bandeiras.
Dirigível Santos=Dumont Numero Nove atracado em frente a seu apartamento em Paris

Nova York não vai se referir a esta apresentação como uma maravilha, mas simplesmente como uma novidade. Será uma coisa a muito esperada, pois a muito tempo fora prometida. A maravilha é que toda a promessa envolvida em seu primeiro balão, que foi para os ares no século XVIII, permanece apenas parcialmente cumprida nesses primeiros anos do século XX. Nova York vai aceitar o Aeroyacht, quando vier em sua perfeição, tal como ela aceitou o automóvel, dissipando-se a novidade, tornando-a tão familiar como muitas outras coisas são que teriam deixado os nossos bisavós de joelhos em oração pedindo pela proteção contra o poder de tal Belzebu. Nós nem iríamos tentar passar sem qualquer uma dessas coisas maravilhosas um dia se quer, estamos chegando mais uma vez na mesma situação. Santos=Dumont nos trará apenas uma sugestão, afinal de contas, apesar de muito promissora, será uma outra conveniência a qual viemos a sonhar, a qual estamos fadados a possuir algum dia. Por trás do entusiasmo dew participar suas exposições, não haverá mais de exultação sobre a sua realização e do que é esperança acelerada para a solução rápida do problema da dirigibilidade no ar com a liberdade e a rapidez dos pássaros.

Santos=Dumont vai cruzar com seu dirigível a ponte do Brooklyn. O brasileiro ousado é apenas um jovem, mal chegou aos trinta anos, mas ele ainda era um menino, ao qual se podia confiar o acelerador de uma das locomotivas usadas nas vastas fazendas cafeeiras de seu pai, que no momento voa sobre o grande vão do East River, e a maravilha da suas faixas atravessadas por milhões. Já não é uma maravilha para os nova-iorquinos, que estarão aos milhares espalhados em largos promenades e grandes plataformas, vendo o aeronauta em seu vôo. Seus olhares vão segui-lo quando ele passar acima das colossais estruturas montadas, sem que se apercebam do fato de que as duas novas maravilhas estão juntas no mesmo ponto de vista - ambos só prometem aquilo que um dia serão. Eles sabem que em pouco tempo vão caminhar e dirigir em sua grande, nova ponte, mas agora, sua única ambição, como eles vêem a cena, vai ser a de algum dia passar voando por cima dela. Quando algum dia acontecer - mas por que antecipar a decadência da maravilha, em ambiente comum que reuniram o tamanho, a beleza e a velocidade deste ou daquele voador milionário?
Santos=Dumont no St. Paul Building na Bradway com a Ann Street

Uma rota que provavelmente será realizada por Santos=Dumont seria um trajeto rumo ao porto e a baía. Isso seria interessante de muitas maneiras, e o vôo da aeronave em torno da estátua da liberdade, ou mais para baixo, cruzando o Narrows e para trás, seria um estranho contraste que a nova embarcação apresentaria para com a frota de embarcações a vapor, que tentariam acompanhar o ritmo dele sobre as águas do porto e da baía.

Das margens pareceria um pássaro gigante pairando no ar sobre a frota. Ainda mais emocionante que a exibição deveria ser se o aeronauta se colocasse em velocidade para tentar conclusões com alguns dos rápidos iates a vapor ou grandes barcos de passageiros. A aeronave contra um dos barcos palacianos que cruzam entre Nova York e Atlantic Highlands poderia ser uma bela prova. Valeria a pena viajar quilômetros para assistir. A viagem para cima e para baixo do Hudson seria uma outra demonstração na qual Santos=Dumont poderia exibir as habilidades de seu ofício. A aeronave voando lado a lado com as paredes íngremes das Palisades seria uma cena estranhamente pitoresca.

Quais quer que seja as viagens decididas pelo aeronauta, durante sua estadia em Nova York, nenhuma seria mais interessante do que aquelas que seriam realizadas sobre a cidade em si. A elas não vai faltar o elemento da excitação, para os prédios altos , isolados ou em grupos, em várias seções de Nova York e Brooklyn, serviriam como balizadores de uma grande variedade de cursos. Estes podem ser definidos com vista a testar a dirigibilidade da aeronave em qualquer direção possível em uma viagem única, proporcionando indicações definitivas sobre o grau de controle possível sob quaisquer condições oferecidas. Manobras triangulares, de quatro pontas, cursos de frente e verso, em ziguezague, com pontos pré-demarcados, as performances do dirigível serão tidas com de grande valia, e as possibilidades que existem nesse feito são de grande importância se viagem aérea vier a se concretizar, mesmo se para fins de lazer, a coisa pratica que o mundo estava procurando. A aeronave pode ser ainda mais desenvolvida do que Santos=Dumont já fez, e ainda ser apenas mais um brinquedo para os mais aventureiros. Mas não vai cumprir a sua missão até que, como o automóvel, possa ser desenvolvida de alguma forma para servir a propósitos mais úteis.


Esta é uma visão mais séria do assunto, no entanto, do que será tratada pela multidão, cujos olhos seguirão Santos=Dumont em suas viagens aventureiras, cujas vozes vão subir na forma de ruidosa saudação de todos os pontos onde as pessoas vão em massa para observá-lo. Serão vibrantes de excitação quando seu dócil leviatã do ar descer rapidamente das claras alturas para escolher seu caminho dentre as estruturas imponentes e se deslocar de forma errática rumo a algum ponto demarcado. Não incorrerá em qualquer risco para ministrar o seu apetite pela sensação. A forma de prevenção de desastre será a glória do momento. No entanto, a completa glória de seu significado virá mais tarde com a sóbria reflexão sobre o que isso traz à humanidade em sua constante busca por acelerar o progresso, que despreza os limites.

Infelizmente, esse vôo sobre Nova Iorque, com Dumont pilotando nunca aconteceu. No entanto, Edward Boyce o fez com uma aeronave de Dumont - O Dirigivel de N.6 foi o primeiro a voar na America.

Más afinal, quem foi Edward C. Boyce



Edward C Boyce conhecido por ter comprado La Baladeuse Nº9 e o Santos=Dumont Nº 8, foi o primeiro homem a pilotar um dirigível na América. Ele também era um arquiteto talentoso, magnata do setor de parque de diversões e coproprietário da Dreamland em Coney Island, bem como da White City em Chicago.

É importante dizer aqui que talvez o dirigível do Número 8, comprado por Boyce, seja o Numero 6 modificado, assim como o Nº 6 veio de modificações no Nº 5 após o acidente de 8 de agosto. Os critérios para a numeração dos dirigíveis de Dumont nunca foram claros.


Boyce foi sem dúvida uma figura multifacetada no início do século 20, que se dedicou à emergente aviação da época, tornando-se um dos pioneiros idealizadores do Aero Club of America.

É ai que vem a parte intrigante – não se tem a sua data de nascimento, óbito pouco se sabe sobre suas contribuições para o Aeroclube, nem mesmo uma boa foto dele.

Foto do escritório de Boyce 302, Broadway, NY - Catálogo de Parques 1904

Uma das afirmações mais intrigantes sobre ele é que ele teria sido o primeiro homem a pilotar um dirigível na América, conforme relatado no artigo do THE EVENING TIMES de 1º de outubro de 1902.

Matéria no THE EVENING TIMES de 1º de outubro de 1902.

“A disputa era entre o dirigível Santos=Dumont Nº 8 (alguns dumontologistas acreditam que possa ter sido o Nº 6), o grande dirigível que esteve em Brighton Beach durante todo o verão, e o Pegasus, dirigível do aviador rival, que estava em um estábulo em Manhattan”.

É curioso que as façanhas de Stevens tenham recebido mais destaque no registro histórico, enquanto Boyce permaneceu relegado a um papel secundário.


Quanto à descrição de Boyce, o artigo continua dizendo que “...Edward C. Boyce, um jovem rico, que era vice-presidente da Syndicate Construction Company, cujos escritórios são na 74 Broadway. Ele tem uma renda de $ 50.000 por ano, e uma paixão por experimentos, é sócio do Aeroclube, e sua luta foi em cumprimento de sua declaração de que Santos-Dumont nº 6 deveria voar, ele mesmo, más teve que contratá-lo para isso”.

Ué! Por que Dumont não poderia pilotar seu próprio dirigível em América? - ...continuemos...

“...Foi uma corrida importante.

...

O voo foi uma surpresa; Boyce começou sem qualquer aviso, o Sr.  Stevens viu o companheiro no ar e não estava disposto a permitir a honra da primeira viagem de dirigível na América ser de seu rival, então, em vinte minutos, depois que a máquina do Sr. Boyce estava no ar, ele tirou a sua do galpão em Brighton Beach e disparou para cima dos telhados das casas”. Pronto o Sr. Stevens também estava se aventurando sobre Manhattan.

A matéria diz que Sr. Boyce desceu suavemente em um campo, com tanta facilidade, que não teria quebrado um ovo, enquanto que Stevens caiu em um poste de luz elétrica e se embaraçou com os fios.

O vôo de Boyce era uma elipse irregular de Brighton Beach, no nordeste, para um campo em Sheepshead Bay. Ele circulou seu ponto de partida e realmente foi contra o vento na maior parte do caminho.

Este mesmo artigo foi publicado em jornais de todo o mundo, mas, no entanto, parece que o Sr. Boyce decide desaparecer da história por algum tempo.

É importante notar que o próprio Pégassus, que não era uma réplica do número 6, compartilhava características extremamente semelhantes dos dirigíveis de Dumont.

Ah, e também sabemos que nesse lindo galpão do Dreamland, o número 9 foi exposto antes de ir para o Smithsonian - Ainda bem que não foi queimado no grande incêndio de Coney Island de 1911.

Mas a questão permanece: por que a história de Edward C. Boyce foi tão negligenciada no registro histórico?

À esquerda, a barquinha e motor Clement da La Baladeuse Nº9 no Smithsonian, cedido por Edward C. Boyce - à direita, a barquinha do dirigivel de Leo Stevens em exposição no lindo pavilhão da Dreamland.

Eu tenho uma teoria, que talvez pareça um pouco conspiratória – a de que era por sua amizade dele com Santos=Dumont.

Sim, dizer que as aeronaves de Santos=Dumont, o Número 6, (talvez o Nº 8) e o Nº 9, compradas por Boyce, foram parar no Smithsonian Institution, tem uma péssima conotação política para a historia contada da America.

De qualquer forma, para mencionar razões menos conspiratórias, aqui estão outras razões possíveis:

A falta de documentação adequada: em uma época em que a documentação histórica nem sempre era tão abrangente ou detalhada, é possível que os registros sobre Boyce tenham sido perdidos ou não tenham sido preservados adequadamente;

La Baladeuse Nº 9 de Santos=Dumont, que foi comprado por Edward C. Boyce exposto num lindo galpão do Dreamland em Coney Island

Desigualdades históricas: Desigualdades históricas, como preconceitos de gênero, raça ou classe social, podem ter influenciado a representação e protagonismo de determinados indivíduos nos registros históricos;

Foco em outros pioneiros: em um campo competitivo como a aviação e a indústria de parques de diversões, nomes mais proeminentes podem ter recebido mais atenção, deixando figuras como Boyce na obscuridade.

Em Busca da Verdade Histórica.

Embora a história de Edward C. Boyce permaneça envolta em mistério, é fundamental continuar a busca por informações sobre sua vida e feitos. A pesquisa em fontes primárias, como jornais antigos, documentos comerciais e arquivos pessoais, pode lançar luz sobre o legado de Boyce. Além disso, é importante questionar a história oficial e buscar uma.

Se algum leitor souber algo mais e quiser acrescentar, por favor comente – Será um prazer saber mais sobre este grande homem. 

O Mistério dos Dirigíveis Número 6 e Numero 8

Para saber se existiu ou não um dirigível número 8, a resposta pode ser encontrada nas evidências e em artigos de jornal.

De acordo com um artigo no The Sketch of London em 4 de junho de 1902, o dirigível N.6 que foi resgatado do acidente na baía de Monte Carlo, Mônaco, em 13 de fevereiro de 1902, foi danificado no Crystal Palace em Londres (provavelmente sabotado), e por lá ficou até 1919 (pelo menos a quilha e o invólucro). Renato Oliveira acredita que o cesto exposto no Le Bourget é o que foi resgatada do mar.

Por outro lado, de acordo com o The Evening Times, em outubro de 1902, o Sr. Boyce voou com ele.

Portanto, é provável que o Sr. Boyce tenha pilotado o N.8 e não o N.6, Santos=Dumont fez uma cópia do N.6 para levar para a América.

O próprio Leo Stevens tinha várias cópias de seu dirigível espalhadas pelo mundo; 2 na Inglaterra 1 nos Estados Unidos e outro na Itália idênticos de 1902 a 1905.

Renato Oliveira afirma que "cronologicamente não havia como o N.6 estar em Londres e Nova York ao mesmo tempo".

O artigo do The Sketch of London, 4 de junho de 1902, com a foto do enorme galpão em um galpão especialmente construído para abrigar o dirigível Santos=Dumont N.6, perto do polo do Crystal Palace, em Londres

Bom, vamos aguardar, em breve ele lançará um livro sobre o assunto.

A seguir, coloco a matéria do The Sektch de Londres, de 4 de Junho de 1902

O olhar ameaçador com o qual, de acordo com Shakspere, a Fortuna olha pelos homens quando ela quer seu bem, ficou muito em evidência no que diz respeito ao Sr. Santos-Dumont. Dirigível após dirigível desmentiu seu nome ao afundar espontaneamente na terra; em mais de uma ocasião, o ousado aeronauta que esteve em perigo iminente de vida, e agora as luzes públicas que deveriam ter começado esta semana foram necessariamente suspensas indefinidamente. Até mesmo a habitual indiferença do Sr. Dumont deve ter sido duramente testada quando, em seu retorno de Paris, descobriu-se que o invólucro de seda de seu balão havia sido rasgado em vários lugares. O cenário do infeliz acidente, conforme o caso, foi o enorme galpão especialmente construído perto do campo de pólo do Crystal Palace. Havia sido considerado viável realizar alguns experimentos preliminares antes dos testes públicos, os dois assistentes franceses do inventor estavam ocupados ajustando a parte mecânica da embarcação quando seu proprietário chegou. Tudo estava aparentemente bem então, mas enquanto ele estava almoçando, descobriu-se que a seda estava rasgada e sem conserto. Detetives e policiais foram, é claro, imediatamente convocados para cuidar do assunto. A teoria era que o dano era malicioso ou, pelo menos, prejudicial;
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leia a matéria completa do THE EVENING TIMES, 1º de outubro de 1902




DIRIGÍVEIS RIVAIS EM CORRIDA EMOCIONANTE ATRAVÉS DAS NUVENS

Máquinas de Santos-Dumont e Stevens no alto do céu acima de Sheepshead Bay chamam a atenção dos entusiastas de corridas.

Dirigível de construção americana pilotado por Leo Stevens sai vitorioso sobre a embarcação brasileira. Más encontrou-se com contratempos.

NOVA YORK, 1º de outubro - A América realizou ontem sua primeira corrida de dirigíveis.

A disputa foi entre Santos-Dumont N. 6, o grande dirigível em que o brasileiro não iria subir e que esteve em Brighton Beach durante todo o verão, e o Pegasus, o aviador rival, que estava num galpão em Manhattan, e que fez uma ou duas largadas falsas.

Recepção de Satnos=Dumont nos Estados Unidos de 19 de abril de 1902. Momentos de alegria ao lado de Emmanuel Aimé e Samuel Pierpont Langley

Ontem ambos navegaram no ar.

O Santos-Dumont era operado por Edward C. Boyce, um jovem rico, que era vice-presidente da Syndicate Construction Company, cujos escritórios ficam no nº 74 da Broadway. Ele tem uma renda de $ 50.000 ao ano, e uma paixão por experimentos, é membro do Aeroclube, e sua luta foi em cumprimento de sua declaração de que Santos-Dumont nº 6 deveria voar, ele mesmo teve que contratá-la.

O Pegasus foi operado por Leo Stevens, um aeronauta e candidato ao prêmio de $ 200.000 que será disputado na Exposição de St. Louis. Ele fez muitas ascensões em balões de ar quente perto de Nova York.

Ambas as máquinas voaram alto, longo e bem. O dirigível Stevens cruzou o caminho do outro e foi muito mais alto, mas como foi um teste de divisibilidade há alguma dúvida se o voo mais alto conta para o nosso contra o homem que o fez.

Foi uma corrida importante.

Do solo, parecia que a máquina de vôo baixo era capaz de girar mais facilmente e estar mais sob controle do que a outra, mas o Sr. Stevens contesta isso.

Boyce começou sem qualquer aviso, o Sr.  Stevens viu o companheiro no ar e não estava disposto a permitir a honra da primeira viagem de dirigível na América ser de seu rival, então, em vinte minutos, depois que a máquina do Sr. Boyce estava no ar, ele tirou a sua do galpão em Brighton Beach e disparou para cima dos telhados das casas”. Pronto o Sr. Stevens também estava se aventurando sobre Manhattan.

Dirigível Santos=Dumont N.6 (ou talvez N.8) no galpão em Brighton Beach, NY

O Sr. Boyce desceu suavemente em um campo, com tanta facilidade, diz ele, que não teria quebrado a casca de um ovo. Stevens caiu em um telégrafo e poste de luz elétrica e se confundiu com os fios, mas não se machucou e sua máquina não foi danificada de forma alguma.

O vôo de Boyce era uma linha ondulada irregular de Brighton Beach a nordeste até um campo em Sheepshead Bay. Ele circulou seu ponto de partida e realmente foi contra o vento na maior parte do caminho.

O curso do Sr. Stevens era uma elipse dupla, de acordo com sua própria declaração, variando de Manhattan ao norte e oeste até seu local de pouso no poste telegráfico na esquina da Sheepshead Bay Road com a First Street.

Corrida desigual.

Ambos passaram quase sobre a pista de corrida e estavam à vista, espectadores, apostadores e jóqueis, e até os próprios cavalos não assistiam a mais nada. Foi tão sério que os Jockeys tiveram que ser advertidos na quarta corrida para cuidarem de suas proóprias largadas em vez dos dois grandes charutos que batiam no ar acima.

Eram 3:45 quando o Sr. Boyce fez sua largada. Ele havia descido ao Aerodome, que é como eles chamam o galpão onde um dirigível é guardado, para seu automóvel com sua esposa e dois filhos pequenos. Seu garotinho lamentou o fato de não poder acompanhar seu pai, e o Sr. Boyce deu a palavra para deixá-lo ir, chamando de volta instruções para seu grupo para encontrá-lo em Grimes Fields em Sheepshead Bay.

Recepção de Santos=Dumont em St Louis

As duas cordas na parte traseira das aeronaves que o seguram devem ser puxadas quando ele ascender. Mas uma delas não foi puxada pelo homem que a segurava. Subiu com o balão e foi apanhado pela hélice. Aqueles na terra que o viram tentaram desembaraçá-lo e, aparentemente, ele conseguiu, pois sua volta sobre o galpão foi tão suave e constante quanto um bonde fazendo uma curva. Então ele navegou em direção ao norte, de vez em quando descrevendo uma curva, primeiro para a direita, depois para a esquerda e assim por diante, até que finalmente afundou no campo para o qual apontava.

Outro dirigível Ahoy!

Enquanto isso, para o leste, a outra máquina havia subido e cruzou o ângulo reto com o curso da outra, da máquina de Stevens dependia de uma corda, que, diz ele, tem 1.800 pés de comprimento e age como a cauda de uma pipa, estabilizando o vôo. Tem suas desvantagens, pois assim que pegou, alguns fios de telégrafo, e Stevens ficou prisioneiro até que algum atacante cortou alguns metros de corda. Hi fez seu círculo elevado, bisbilhotando em curvas largas três quartos de milha no ar, enquanto o Sr. Boyce nunca subiu mais de 800 pés.

Quando o Sr. Stevens começou a descer, seus problemas começaram. Ele diz que uma manivela que controla a faísca de sua máquina se soltou e começou a lançar flashes elétricos por tanto tempo que o aeronauta temeu que eles incendiassem o hidrogênio, do qual ele tinha 22.000 pés em seu involucro de gás. Ao alcançar essa manivela, ele derrubou um plugue que controlava o maquinário e teve que pensar em descer imediatamente.

Sua corda longa e arrastada ficou presa nos fios elétricos em frente ao mercado de peixes de Lundy, Sheepshead Bay Road e First Street, e mais tarde sua âncora, que ele lançou, ficou presa nesses mesmos fios e houve uma exibição de fogo elétrico.

Stevens puxou as válvulas e desceu sobre o reator de luz elétrica e os fios, e metade da população daquela parte do mundo saiu e gritou para ele que seria grelhado vivo naqueles fios. Ele pulou na estrutura de sua máquina, no entanto, até que algum atacante conseguiu uma escada até ele.

Ele soltou suas cordas, que foram agarradas ansiosamente por tantos de meio milhar de assistentes voluntários quanto puderam segurar, enquanto ele conduzia a aeronave sobre os telhados para um grande terreno, onde a descida foi finalmente feita com segurança e conforto.

Em sua segunda viagem aos Estados Unidos após o Prêmio Deutsh, na primavera de 1904, Dumont marcou uma série de compromissos e demonstrações, e voltou à França em 28 de maio para fazer os vários preparativos, até ser frustrado em St. Louis. Em 12 de junho de 1904, Santos=Dumont parte para sua terceira e última viagem aos EUA a bordo do SAVOIE, ao chegar lá percebe que seu dirigível N.7 havia sido destruído (possivelmente sabotado). Na foto ao lado dos mecânicos Chapin e Dozon. 

A corrida foi um sucesso do ponto de vista de todos, menos do pessoal do bonde, que está imaginando que tipo de liminar valerá contra esses novos pássaros do ar que bagunçam seus fios com cordas de trilha e âncoras.

A âncora de Stevens foi bastante queimada pelos fios elétricos.


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Postais , cartões & cardápios – O dia a dia de Santos=Dumont


Sabemos muito dos grandes feito de Santos=Dumont, mas, como era a sua vida no dia-a-dia?


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A seguir veremos alguns cartões postais, cartas, cardápios e alguns outros documentos que mostram um pouco mais da intimidade deste grande gênio.

Almoço em Campinas 18 de setembro de 1903
Bennerville - 30 de Julho de 1927
De Megev Para Henrique Dumont Villares - 1928 - 

Cartão Postal de Guilherme Villares - 30 de julho de 1930 - frente

Cartão Postal de Guilherme Villares - 30 de julho de 1930 - verso


Carta Cia Agricola

Paris - 04 de Abril de 1930

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O Vôo do 14 bis


O 14 Bis, primeiro avião de vôo homologado na historia, surgiu a partir de uma serie de inventos com o nome de “Numero 14”, saiba como essa serie de eventos trouxe ao mais famoso aeroplano de Santos=Dumont.

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No dia 12 de junho de 1905 Santos=Dumont faz voar o seu dirigível de numero 14 em Saint-Cloud, era uma modelo ágil e rápido. Com volume interno de 200 metros cúbicos o numero 14 era extremamente fino movido por um motor Clement de 3,5 HP.

Apos os primeiros testes o dirigível se mostrou extremamente difícil de manobrar e muito instável. Santos=Dumont reprojetou o invólucro, dessa vez mais taludo, com 186 metros cúbicos. Voou com a nova versão do numero 14 no dia 21 de agosto de 1905 no litoral de Trouville.

Foi também no litoral Frances que Dumont percebeu em uma corrida de lanchas que os motores Antoniette se mostravam mais potentes e mais leves, o que permitia o vôo de possíveis aeroplanos.

Ainda em Trouville, viu o vôo de pipas no formato de células de Hargraves e a inspiração se deu. Sua equipe trabalhou em segredo. Com envergadura de 12 metros e media 10 metros de comprimento, o chassis era de bambu coberto com seda japonesa, o leme foi projetado na frente da aeronave (configuração canard).

Santos=Dumont resolveu não correr riscos desnecessários, sabia que tinha que dominar os comandos antes de se aventurar nos ares, resolveu acoplar a aeronave ao dirigível de numero 14 (dai o nome 14 bis) usando um motor Antoniette de 24 HP, a fusão de aeroplano e dirigível se mostrou extremamente instável, alem disso o arrasto gerado era muito grande. veja animação abaixo.

Clique na imagem acima para ver como o aeroplano 14 bis conjugado com o dirigível numero 14 era instável.

Desfez-se do aeróstato, e o biplano, enfim liberto do seu leve companheiro, recebeu da imprensa o nome de Oiseau de Proie (“Ave de rapina”).
O burrico chamado Kuigno, entrou para a história da aviação por ter ajudado no experimento com o 14-Bis

Ainda com o objetivo de dominar os controles e achar as melhores condições de manobrabilidade S=D amarrou o 14 bis a cabos que era puxado para o lado mais alto com a ajuda de um burrico e depois corria livre, como uma grande tirolesa.
Aqui outra foto do burrico Kuigno.

Fez também algumas experiências no hangar e percebeu que seu motor não daria condições de levantar vôo, resolveu trocá-lo por um Antoniette de 50 HP.

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Ele realizou esse sonho em 4 de setembro de 1906, quando voou pela primeira vez em seu avião número 14-Bis. Foram pequenos vôos de 7 a 8 metros no Campo de Bagatelle, mas talvez o dia mais feliz de sua vida, pois finalmente conseguiu decolar, com força suficiente para se manter no ar.

Ao perceber que precisava do eixo rolamento (como vimos lá artras), ele colocou ailerons na ponta de cada asa.




Foi no campo de Bagatelle, no dia 07 de setembro que S=D consegui tirar por alguns instantes as rodas do chão, foi assim que Dumont teve confiança de inscrever o seu 14 bis para o Premio Archdeacon,.

Tentou o vôo novamente no dia 13 de setembro de 1906 mas o motor não estava com todos os pistões funcionando. Chapin concertou e o 14 bis voou por incríveis 13 metros.

No dia 23 de outubro de 1906, Santos Dumont apresentou-se novamente em Bagatelle com o Oiseau de Proie II, com algumas modificações do modelo original, o aeroplano havia sido envernizado para reduzir a porosidade do tecido e aumentar a sustentação.

Nesse dia o 14 bis percorreu 60 metros a 3 metros de altura. Mas foi só no dia 12 de novembro de 1906 às 16h45min que o 14 bis voou 220m a 6 metros de altura e ganhou o premio Aeroclub da França – FOI O PRIMEIRO VOO HOMOLOGADO DA HISTORIA DA AVIAÇÃO e faturou o premio Archdeacon.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Dirigível Santos=Dumont Numero 9 – A mais elegante maquina voadora





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Sem duvida nenhuma o dirigível de numero 9, também chamado de “La Balladeuse”  (a carruagem) foi o invento de vôo individual mais elegante.

Santos=Dumont conduzia seus experimentos com muito estilo, tendências dandy, neo vitorianas, steam-punks, etc., faziam dele um artista-cientista.

Dirigível N.º 9 “La Balladeuse”

A seguir coloco algumas publicações francesas e americanas de seus feitos quando pilotava seu dirigível Numero 9 pelas ruas de paris.

- New York Herald 24 de junho de 1903

(Vocês perceberão que no texto a localização do hangar de Santos=Dumont fica em St. James, quando na verdade, sua verdadeira localização era em St Cloude. Coloquei a matéria em sua integra, e sugiro que os erros sejam ignorados).
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“M. Santos-Dumont vai em seu número 9 para breakfast na Champs-Elysees.

Faz viagem de manhã cedo partindo do hangar em Neuilly até à sua residência.


Uma EXPERIÊNCIA SATISFATÓRIA

Construiu plataforma de chegada em sua varanda para uso em ocasiões futuras

M. Santos-Dumont ontem fez uma viagem logo cedo aparecendo no Santos-Dumont No.9 a partir da nacela de seu balão em St. James e de lá para a sua residência, no n º 114 da Avenida Chaps-Elysees, onde tomou café da manhã com alguns amigos e depois voltou para o "ponto de partida".



Ele afirmou que estava desejoso já há alguns dias de fazer tal viagem sobre a cidade, porem não estava seguro de assumir o risco de passar com o pequeno balão dirigível por cima das casas com tão pequena quantidade de um lastro a bordo.


No seu n º 9 no entanto, ele poderia transportar uma maior quantidade de lastro, desta forma, ele decidiu fazer a viagem em naquele balão.

O tempo na segunda-feira havia melhorado muito estava com toda a aparência de que poderia ser perfeito, então M. Santos-Dumont deu ordens a seus trabalhadores para manterem-se em prontidão para a manhã de ontem, pois partiriam aproximadamente as sete ou as oito horas.

A noite de segunda-feira tornou-se muito bela e como a condição o compelia, M. Santos-Dumont não conseguiu mais dormir. Não, ele decidiu se levantar ainda mais cedo do que pretendia.

Eram três horas quando ele se levantou, rumou imediatamente para o galpão do balão, chegando lá exatamente.às quatro horas.

O vento estava soprando na direção contrária ao que ele desejava viajar e não havia luz o suficiente, ele achou que isso não impediria de forma alguma o programa do N º 9.

Seus trabalhadores estavam todos dormindo quando ele chegou no galpão, pois eles não o esperavam até pelo menos três horas mais tarde M. Santos-Dumont acordou-os, e eles começaram a trabalhar imediatamente na preparação, que foi terminada por volta das seis horas .

Tudo pronto .

Os automóveis nos quais os trabalhadores estavam por seguir o balão, já estavam a postos, e tudo estava pronto para o início .

M. Santos-Dumont subiu na barquinha, e o n º 9 navegou pelo o ar, o vento, muito fraco, e até mostrava sinal de maior abrandamento.

Havia uma névoa fina no ar, que foi considerada um sinal de bom augúrio, o tempo continuaria estável.

Antes de mais nada, manobrou o balão em todas as direções para testar os aparatos de direcionamento e, em seguida segui em curva para a Avenida du Bois du Boulogne. M. Santos-Dumont diz nunca ter visto essa avenida tão deserta. Nenhuma pessoa estava à vista e não havia outro veículo além dos dois automóveis de seus trabalhadores.

A tentação de continuar a viagem foi muito grande, e M. Santos-Dumont decidiu realizá-la. Chegou sem dificuldade ao Arc de Triomphe, seu guide-rope arrastava-se ao longo da estrada, logo que não havia perigo de impedir o tráfego, em tal condição.

Ao redor do Arco.

Ele conduziu seu balão em volta do grande arco monumental, contornando bem rente, para testar sua o mecanismo do leme, e logo em seguida começou sua jornada ao longo da avenida du Champs Elysées, a mesma solidão prevalecia nas ruas como na avenue du Bois, mesmo sendo já quase sete horas. 

Clique na imágem acima para ver os controles de direcionamento do Dirigível Santos=Dumont No 9


Quando se aproximou de sua residência as ruas começaram a apresentar uma aparência mais viva . Operários estavam seguindo para começar seu dia de trabalho, entregadores de jornais iam de casa em casa, e os aguadeiros da cidade começavam a molhar as avenidas.

Ao chegar na porta oposta da sua casa, reconheceu alguns amigos, os quais saudou. Em seguida, o balão começou a descer e, finalmente, alinhou-se exatamente à porta de entrada. Os trabalhadores que o seguiam seguraram seu guide-rope.

Sua plataforma de desembarque.

M. Santos=Dumont explicou, mais tarde, que ele não teria mais a necessidade dos serviços de seus trabalhadores para auxiliá-lo no desembarque em sua residência, uma vez que ele já havia construído uma plataforma de desembarque em conexão com sua varanda, só seria necessário chamar um ajudante. Ele não fez isso ontem de manhã porque não lhes tinha dado aviso prévio de sua intenção.

Motor do n º 9 Clement BAyard de 2 cilindoros e 3 cavalos, vendido por Santos=Dumont ao Sr Boyce, em exposição no Smithsonian 

Esta plataforma de desembarque é um dispositivo excelente, construída de acordo com M. Santos-Dumont a partir dos planos fornecidos em um livro que descreve o futuro da aeronáutica, escrito por um autor Inglês . Neste volume um sistema completo de balonismo é descrito, e traz todos os detalhes sobre a maneira correta de como aterrissar em casas quando seremos capazes de manobrar um balão.


Clique na imágem acima para ver como Santos=Dumont fazia subir e descer o Santos=Dumont No 9

No início da viagem de regresso, o vento, aumentou consideravelmente em força, o balão foi então conduzido ao longo da avenida por meio do guide-rope. M. Santos-Dumont não quis a principio adotar esta precaução, mas cedeu aos conselhos de seus assistentes que o alertavam para o perigo.

Uma vez no Bois, no entanto, o guide-rope foi solto, e M. Santos-Dumont continuou sua viagem, contando com os aparatos de direcionamento, e em tempo hábil, após uma experiência bem sucedida, ele chegou ao seu hangar em-St. James.

M. Santos-Dumont está tão satisfeito com sua experiência que ele pretende em breve fazer mais testes do mesmo tipo.”


14 Juliet e o N.9 

Voo noturno do dirigível numero 9 de Santos=Dumont - a iluminação vinha de um holofote produzido nas oficinas de seu amigo Louis Bleriot
23 de julho de 1903 - Santos=Dumont subiu com um enorme e potente farol fabricado nas oficinas de seu amigo Louis Bleriot, e com o farolete instalado na proa de seu numero nove realizou o primeiro vôo noturno de um dirigível.

“Eu acabar de sentar-me no terraço de um café na Avenue du Bois de Boulogne, e estava saboreando uma laranjada gelada. De repente, fui sobressaltado ao ver uma aeronave descer bem à minha frente. A corda-guia se enrolou pelos pés da minha cadeira. O aparelho parou logo acima dos meus joelhos, e Santos=Dumont desembarcou. Verdadeiras multidões avançaram e aclamaram entusiasticamente o grande aviador brasileiro; elas admiram a coragem e o espírito esportivo.


Santos=Dumont pediu-me gentilmente desculpas por me haver assustado; após o que, ele pediu um ‘apéritif’, sorveu-o tranqüilamente, subiu de volta à aeronave, e foi-se, deslizando pelo espaço. Sinto-me feliz por ter contemplado o homem-pássaro com os meus próprios olhos.

No dia seguinte, eu fui até o Bois de Boulogne. Justamente quando meu carro ia transpor a Porte Dauphine, o homem-pássaro pousou no pavimento. Os policiais avançaram às pressas, fazendo parar todos os transeuntes a pé, a cavalo e em todos os tipos de veículos. Os cavalos trotadores relincharam, os motores roncaram nos automóveis que iam sendo bruscamente freados, sacolejando seus ocupantes. As babás que levavam crianças para um passeio ao ar livre mostraram-se nervosas. Que se passava? Seria algum conflito? Não. Era Santos-Dumont em outro dos seus passeios aéreos.

É noite. Eu vou caminhando sob as árvores. Subitamente tropeço numa corda. Esta não se parece absolutamente com a trança de Rapunzel. Ouço o barulho de folhas amarfanhadas acima de mim, e uma voz zangada grita:

‘Não consigo ver nada! Vou quebrar a cabeça!’ Levanto assustado o nariz, e vejo um monstro escuro cujo olho brilha com acitileno. Não é uma coruja gigantesca; é o tal veículo encantado de Santos-Dumont!

Já é madrugada, e eu estou voltando para casa. A ceia prolongou-se demais, e nós tivemos a idéia pouco sensata de experimentar novas bebidas de origem americana. Minhas pernas parecem ser de gelatina e minha cabeça não está lá muito certa. O Champs-Elysèes está deserto, no lusco-fusco da madrugada.De repente alguém me grita qualquer coisa. Trata-se, evidentemente de uma ilusão, pois não há ninguém por ali àquela hora. Mas não! Preciso acreditar em meus ouvidos! É realmente para mim que uma voz misteriosa grita: ‘Mova-se para a direita! Minha corda-guia vai atingi-lo’. É ele outra vez! Sempre ele! Ele, acima de todos! Desce mansamente na sua sacada, e seus criados trazem-lhe o café da manhã.”

La fille de Suresnes 

San Moritz, 1928
No saguão silencioso da clínica, Santos=Dumont observa uma jovem ao longe, o rosto, o jeito de cruzar as mãos, algo ali remexe lembranças antigas, ele hesita, respira fundo e, com esforço, caminha até ela: 
— Mademoiselle… perdoe a intromissão, mas seu rosto me traz belas lembranças. A senhorita, surpresa, sorri com gentileza.
 — Que honra... mas temo que não saiba quais lembranças são essas.
— Talvez nem precise saber — responde ele, já se afastando um pouco — algumas imagens ficam no coração sem nome ou data.
A jovem, então, se anima:
— Talvez eu possa ajudar. Minha tia vivia em Suresnes, era apaixonada pelo senhor, colecionava suas fotos, recortes… contava que o senhor passava voando com seu dirigível com o holofote aceso, como um anjo iluminando os céus de Paris e a janela do quarto dela.
Nesse momento, uma senhora de cabelos muito bem presos e olhos ainda vivos se aproxima. A jovem a apresenta, e a mulher sorri com surpresa e emoção contida.
— Monsieur Dumont… o senhor não pode imaginar a alegria que é vê-lo de novo. 
Eu mandava beijos pela janela enquanto
o senhor passava com o Balladeuse e aquele gesto bobo me fazia acreditar no impossível. 
Tinha fotos suas escondidas entre os cadernos, recortes de jornal, até um lenço assinado.


Dumont a observa com cuidado.
— Agora me lembro… a senhorita era a moça da janela, a cada voo, esperava aquele gesto seu como quem espera um sinal dos céus.

Voo noturno de Santos=Dumont pelas ruas de Paris

Ela se emociona, e tenta segurar firme o riso que lhe escapa. Enquanto ele, já tomado por uma alegria sincera, inclina-se com dificuldade, oferece um abraço calmo, respeitoso e por um instante, o peso dos anos parece mais leve, a neblina dos nervos agitados cede espaço à luz e a paz de um encontro improvável.
—-
De volta à clínica, os médicos notariam dias depois que algo havia mudado no humor de Dumont — o reencontro com um carinho antigo, uma verdadeira estrela de luz em meio às milhares de janelas apagadas na noite de Paris. A oferta de cura à uma mente genial e um coração atormentado.
« On dit que c’est une simple anecdote, mais qui sait ? »
("Dizem que é apenas uma estorinha, mas quem sabe?")

Que Fim Levou o N9?


Santos=Dumont jamais deixaria seu melhor dirigível forsse para em mãos que não confiasse, e de fato o homem que comporu a La Baladeuse Nº9 e o Santos=Dumont Nº 8, foi um grande homem, bem como o primeiro homem a pilotar um dirigível na América, um verdadeiro amigo aemrciano, Edward C Boyce.

Edward C Boyce era era um arquiteto talentoso, (saiba mais sobre Edward C Boyce e seus feitos) magnata do setor de parque de diversões e coproprietário da Dreamland em Coney Island, bem como da White City em Chicago.

É importante dizer aqui que talvez o dirigível do Número 8, comprado por Boyce, seja o Numero 6 modificado, assim como o Nº 6 veio de modificações no Nº 5 após o acidente de 8 de agosto. Os critérios para a numeração dos dirigíveis de Dumont nunca foram claros.


Boyce foi sem dúvida uma figura multifacetada no início do século 20, que se dedicou à emergente aviação da época, tornando-se um dos pioneiros idealizadores do Aero Club of America.

É ai que vem a parte intrigante – não se tem a sua data de nascimento, óbito pouco se sabe sobre suas contribuições para o Aeroclube, nem mesmo uma boa foto dele.

Foto do escritório de Boyce 302, Broadway, NY - Catálogo de Parques 1904

Uma das afirmações mais intrigantes sobre ele é que ele teria sido o primeiro homem a pilotar um dirigível na América, conforme relatado no artigo do THE EVENING TIMES de 1º de outubro de 1902.

Matéria no THE EVENING TIMES de 1º de outubro de 1902.

“A disputa era entre o dirigível Santos=Dumont Nº 8 (alguns dumontologistas acreditam que possa ter sido o Nº 6), o grande dirigível que esteve em Brighton Beach durante todo o verão, e o Pegasus, dirigível do aviador rival, que estava em um estábulo em Manhattan”.

Tanto Dumont quanto Boyce, por motivos ligados a egos inflamados e distorcidas narrativas históricas, nunca tiveram o reconhecimento de weus enormes feitos.