segunda-feira, 20 de outubro de 2014

SANTOS=DUMONT e o espírito de inovação brasileira

Quando eu era adolescente no final dos anos 70, começo dos anos 80, testemunhei um enorme número de colegas partindo para o exterior em busca de mais ‘desenvolvimento’.

Esses amigos trabalharam na construção civil em cidades do Canadá, lavando pratos e copos na Inglaterra, como dekasseguis em cargos baixos no Japão ou como jardineiros em Paris e voltavam falando maravilhas dos países que os colocaram para fazer um trabalho que os moradores locais não estavam dispostos a fazer.

Porque nos rebaixávamos tanto?

Talvez o leitor não encontre nesse blog um texto com o mesmo grau emotivo que este, mas eu precisava tornar publico o que vemos fazendo.

Santos=Dumont, ficou enormemente desgostoso com o papel da Aeronáutica na Revolução Constitucionalista de 32, quando os paulistas tentaram, pelas armas, derrubar o ditador Getúlio Vargas. “A Aviação foi à trágica surpresa da Revolução”, essa era a frase que se ouvia falar nas ruas do Guarujá, onde Santos=Dumont tentava se recuperar de problemas emocionais profundos. O conflito durou 85 dias, entre 9 de julho a 2 de outubro de 1932 e o Vale do Paraíba foi palco das batalhas mais sangrentas da rebelião.

Dumont não se conformou em estar tão na contra-mão dos acontecimentos, seu sonho era que o avião se transformasse em um instrumento de integração entre povos, nações e culturas, mas imerso em emoções contrarias, cometeu suicido no dia 23 de Julho do mesmo ano (14 dias depois do inicio do conflito), é possível que essa visão antecipada do seu obituário tenha despertado nele o desejo de modificar o então uso de seus inventos para propostas bem mais nobres, a exemplo do que aconteceu com Alfred Nobel, mas que infelizmente não se tornou de conhecimento publico.

A exemplo de Nobel, eu sonho com a criação de uma “ORDEM SANTOS=DUMONT”, bem como a premiação de brasileiros que tenham dedicado seu empenho, intelecto e ética a criações que impulsionem o Brasil a prosperidade, o desenvolvimento tecnológico e conseqüente crescimento. Enquanto essa ordem não se torna realidade, eu uso esse blog como uma forma de combater os chamados ‘males da alma do Brasileiro médio’.

Detesto generalizações, mas é bastante conhecido entre nós brasileiros o conceito de “Complexo de Vira-Latas” que temos, cunhado por Nelson Rodrigues no ano de 1958 no livro ‘A Pátria de Chuteiras’.
 
o chamado 'Complexo de Vira-Latas' aparece pela primeira vez no livro 'A Patria de Chuteiras', de Nelson
Rodrigues
Segundo Rodrigues, "o brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem".

Um exemplo marcante dessa atitude retrograda, auto sabotadora e contraproducente ocorre na própria cidade de nascimento do aviador – o antigo Município de Palmira, cuja o nome mudou quando da morte do aviador para Município de Santos Dumont – MG, distante, aproximadamente 207 km de Belo Horizonte.

Lá, o museu local não recebe a atenção que deveria (pelo povo e pelo governo), salvo por um pequeno grupo de colaboradores que corajosamente e com muito amor, mantém viva a lembrança do aviador e seus pertences.

Encontra-se a venda também lá, em diversas lojas de produtos regionais um pequeno frasco com os dizeres “ÁGUA DE DUMNONT”. Trata-se de uma ‘brincadeira’ com a possível homossexualidade de nosso herói nacional.
 
Água de Dumont - brincadeira com a possível homossexualidade de Santos=Dumont - Exemplo de espírito de Auto sabotagem e baixa autoestima de um grupo de brasileiros
O que parece ser uma ‘brincadeirinha’ dos locais para ganhar um trocado, demonstra a danosa baixa autoestima disfarçada de ingênua auto-ironia.

Ao contrario dos japoneses, que se orgulham de fazer parte de um povo guerreiro, que nunca havia perdido uma guerra até os episódios de Hiroshima e Nagazaki e que usa constantemente esse sentimento aspiracional de grande impacto (entre outros tantos) para impulsionar cada individuo rumo a grandes conquistas individuais, a atitude ridicularizar Santos=Dumont, nos faz distanciarmos cada vez mais de valores de conquistas em prol de nosso próprio pais.
Num evento sem nenhuma pompa, eu (de óculos no canto direito) junto a amigos levamos o lenço que pertenceu a Santos=Dumont para receber a assinatura dos pioneiros, Professos Nicolelis e Juliano Pinto, pioneiros brasileiros em mobilidade bípede. No lenço tem ainda assinatura de Marcos Pontes, primeiro astronauta brasileiro e carimbos da ISS, bordado de Santos=Dumont e o 'Coração Alado' de Romero Brito, desenha do pelo mesmo. 

O Lenço de Dumont

Ao se levar em consideração tal sentimento, um grupo de amigos semi-anônimos (do qual agora eu também faço parte), decidimos usar o que eu considero como ‘UMA EXEMPLAR SIMBOLOGIA ASPIRACIONAL’, o ‘LENÇO DE SANTOS=DUMONT’.

Decidimos usar um pertence antigo de Santos=Dumont para coletar assinaturas de brasileiros que conquistam, ou conquistaram importantes avanços tecnológicos em nome de nossa bandeira.

Nesse exato momento, brasileiros incríveis estão fazendo trabalhos incríveis de inovação com foco no amor a humanidade. É o caso do Professor Miguel Nicolelis e seu exoesqueleto, que lindamente foi batizando de ‘Santos=Dumont’.

Da mesma forma que Santos=Dumont deu asas à humanidade, o professor Nicolelis está dando a autonomia bípede a pessoas que tem sua capacidade de andar sobre suas pernas comprometida.

O lenço conta ainda com a assinatura do primeiro astronauta brasileiro, que inclusive levou esse mesmo lenço para o espaço e com a ilustração ‘O CORAÇAO ALADO’ de Romero Brito, que simboliza o amor que serviu de combustível a esses brasileiros para atingirem seus objetivos.
'Coraçao Alado' - ilustração de Romero Brito no Lenço de Santos=Dumont, que representa o amor de nossos compatriotas que dedicaram seu amor a conquistas tecnológicas importantes para a humanidade. neste lenço tem também a assinatura de Marcos Pontes (1o astronauta brasileiro) e os carimbos da Estação Espacial Internacional - saiba mais em http://santosdumontvida.blogspot.com.br/2012/10/comemoracoes-do-primeiro-voo-do-mais.html

Se você se inspirou ao saber desse lenço como símbolo de um lindo movimento que está acontecendo no Brasil, que ajuda a nos impulsionarmos para um maior respeito/amor próprio, nos coloca como iguais a outros cidadãos do mundo (pois realmente não somos nem maiores, nem menores que eles) e que nos faz integrar mundialmente com nosso ‘CORAÇÃO ALADO’, então junte-se a nos.

Se acaso você se indignou ao saber desse lenço, por achar que não deveríamos profanar um pertence antigo e importante, e que tal pertence deveria estar num museu, saiba que essa indignação me acometeu a uns 20 anos atrás, quando soube de algumas centenas de milhares de outros itens do aviador se deteriorando em casas de particulares, em museus mal administrados ou bem tratados em museus de países distantes.

Faça com que essa indignação seja a mola propulsora e então junte-se a nós, para fazer com que nossas instituições e nosso povo possam cuidar melhor da historia e das conquistas brasileiras.

Essa matéria só perde seu efeito quando você lê e decide não fazer nada a respeito, quando não se encanta por ser brasileiro ou quando decide continuar a levar a vida que vem levando... o Brasil é feito por você em meio a 203 milhões de habitantes.


domingo, 20 de julho de 2014

Luiz Pagano recebe a medalha 'Mérito de Cabangú'

Luiz Pagano recebe a medalha 'Mérito de Cabangú' das mãos de Tomás Castelo Branco
Nesta sexta feira tive a grande honra de receber a medalha “Mérito Cabangú” pelos meus trabalhos de preservação, divulgação e melhoria da memória de Santos=Dumont, que podem ser vistas neste blog.

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A solenidade aconteceu no ultimo dia 18 de julho de 2014, na Fazenda Cabangú em Santos Dumont – MG, em evento realizado pela comemoração do 141o aniversario de nascimento de Santos=Dumont, pela Fundação Casa de Cabangú, o patrono Jorge Henrique Dumont Dodsworth, a Escola Preparatória de Cadetes do Ar e a Prefeitura Municipal de Santos Dumont – MG. Lá foram entregues as medalhas “Mérito Cabangú” e “Mérito Santos Durnont”.
 
Luiz Pagano e Jane Bieringuer em Cabangú - MG
A Medalha “Mérito Cabangú” foi criada no dia 02 de abril de 2005, é comemorativa ao nascimento de Alberto Santos Dumont, em 20 de julho de 1873 na Fazenda Cabangú. Foi criada para distinguir pessoas que tenham contribuído para a preservação, divulgação e melhoria do “Museu Casa Natal de santos Dumont”. A Medalha “Mérito Santos Dumont” foi instituída no Ministério da Aeronáutica por Decreto nº 39.905 de 5 de setembro de 1956 em homenagem à Alberto Santos=Dumont em comemoração ao 1º vôo do 14 Bis. É Distinção concedida a cidadãos que se tenham tornados credores de homenagens da Força Aérea Brasileira.

Ao chegar, fui gentilmente recebido pela Sr.ª Monica e pelo Sr. Tomás Castelo Branco, coordenadores da Fundação Casa de Cabangú e curadores do museu de mesmo nome, em meio a banda de música e corneteiros militares, fui convidado a tomar meu lugar na tribuna de honra.

A cerimônia começou exatamente as 10 horas da manhã com honras militares e homenagem ao Patrono da Aeronáutica, Marechal do Ar Alberto Santos=Dumont, a seguir os militares entram em forma, foi feita a Leitura da Ordem do Dia pelo Comandante da Aeronáutica, o canto do Hino dos Aviadores, e por fim a entrega das medalhas, feita pelo senhor Tomás Castelo Branco.

Dentre os agraciados deste ano, estava o astrônomo do Observatório Astronômico de Piracicaba, Nelson Travnik, autor da primeira fotografia brasileira da cratera Santos-Dumont na Lua, feita em 2006, ano das comemorações dos 100 anos do vôo do 14-Bis.

Outros agraciados com a medalha em anos anteriores foram o Dr. Henrique Lins de Barros, pesquisador e biografo de Santos=Dumont com diversos trabalhos publicados, João Luís Musa fotografo que restaurou e publicou incríveis fotos inéditas do aviador e a também grande biografa Srª Laurete Godoy, autora de sete livros sobre a aviação e sobre a mitologia grega.
 
Luiz Pagano recebe a medalha 'Merito de Cabangú' - Com gola alta, relógio Cartier Santos e Chapeu S=D
Ao final da entrega, eu junto aos outros possuidores das medalhas, que havíamos saído de forma para postarmo-nos à direita da Bandeira, voltamos aos nossos lugares na tribuna de honra para presenciarmos o momento mais emocionante do dia, quando Tomás contou a historia do Museu de Cabangú.

Poucos sabem que a idéia da construção do museu surgiu no mesmo dia da morte do aviador, bem como a mudança do nome da cidade. A mudança de nome aconteceu rapidamente, no dia 31 de julho de 1932 o decreto estadual n° 10.447 mudou o nome da cidade de Palmyra, em Minas Gerais, para Santos-Dumont, já o surgimento do museu ainda segue um caminho bem mais difícil.

Alguns dias depois da morte do aviador no ano de 1932, alguns cidadãos da então Palmyra, decidiram ver como estava sua fazenda natal e ficaram muito tristes ao ver a casa depredada, habitada por invasores e com os pertences e documentos do aviador espalhados do lado de fora.  Imediatamente expulsaram os invasores e procederam com a guarda dos bens existentes na casa de Cabangú.

O estatuto do museu só foi redigido em 09 de Fevereiro de 1949, mas as duras lutas para a proteção da Casa Natal e Fazenda de Santos Dumont pareciam ser tarefa por demais ingrata. Sem qualquer ajuda de qualquer órgão público, a fundação só foi receber a primeira visita do Ministério da Aeronáutica no dia 23 de Outubro de 1952, que passou a olhar pelo legado histórico.

Quando do centenário do nascimento do aviador, no ano de 1973, foi criada a Comissão Nacional das Comemorações da Aeronáutica, formou-se então o Museu Casa Natal de Santos=Dumont e até mesmo foi construída uma estrada ligado o museu à malha rodoviária pela BR 499.

Finalmente em 2006 museu recebeu a primeira ajuda do Governo Federal e uma sede administrativa foi construída. O sonho de Alberto Santos=Dumont, que deixara bem claro a intenção de transformar a casa da fazenda em museu, começou a dar seus primeiros passos.

Segundo o Sr. Tomás, ainda há muito o que ser feito, e ele (assim como eu) espera um dia ver o nosso país dar o devido valor ao legado histórico de Santos=Dumont, bem como ao de toda nossa nação.
 
Militares entram em forma em Cabangú - foi feita a Leitura da Ordem do Dia pelo Comandante da Aeronáutica e o canto do Hino dos Aviadores
A seguir, a letra do Hino dos Aviadores

Vamos filhos altivos dos ares
Nosso vôo ousado alçar
Sobre campos, cidades e mares
Vamos nuvens e céus enfrentar

D´astro rei desafiamos os cimos
Bandeirantes audazes do azul
Às estrelas de noite subimos
Para orar ao Cruzeiro do Sul

Contato, companheiros !
Ao vento sobranceiros
Lancemos o roncar
Da hélice a girar

Mas se explode o corisco no espaço
Ou a metralha na guerra rugir
Cavaleiros do século do aço
Não nos faz o perigo fugir

Não importa a tocaia da morte
Pois que a pátria dos céus o altar
Sempre erguemos de ânimo forte
O holocausto da vida a voar

Contato, companheiros !
Ao vento sobranceiros
Lancemos o roncar

Da hélice a girar

terça-feira, 27 de maio de 2014

Santos=Dumont – Pai da ‘Filosofia Pós-escassez’

A idéia de Santos = Dumont de compartilhar conhecimento, sem qualquer compromisso com as leis de patentes, focando apenas o único objetivo de conquistar o vôo, certamente causou a antecipação da descoberta da aeronave até o início do século 20. Mas também foi a grande causa da má interpretação dos americanos conferindo aos irmãos Wright o status de inventores do avião.

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Santos = Dumont antecipou a filosofia "wiki" em mais de 100 anos, no qual todas as informações sobre uma invenção, em um processo de desenvolvimento específico, são colocados à disposição de todos, a fim de multiplicar as chances de avanço - abrindo oportunidades para um maior número de pessoas envolvidas na questão, visando a criação definitiva da tal invenção (o termo "wiki" para designar esse fenômeno aparece hoje no site da Wikipedia e também no livro "Wikinomics", de Anthony D. Williams e Don Tapscott) - saiba mais sobre Santos=Dumont pai da filosofia Wiki

O que hoje é conhecido como "filosofiade pós-escassez", também foi criado por Santos Dumont- mas hoje o termo "pós-escassez" ainda é tida mais como ficção científica, que uma ciência.

O processo de invenção / criação através do método de "pós-escassez" implica em usar com devoção intelectual completa, procurando resolver os problemas, em relação aos estágios de criação, levando em consideração que "podemos encontrar na natureza todo e qualquer recurso para resolver todo e qualquer problema".

A ‘pós-escassez’ é o método no qual a profunda observação da natureza, aliada ao mais perfeito uso da mente criativa, permite testar a exaustão todas as possibilidades para obter a invenção de algo, em sua melhor forma.

- A escassez acaba no momento em que percebemos a natureza ilimitada de recursos que consideramos, por ignorância, como escassos.-

Como o próprio nome diz, o método de ‘pós-escassez’ implica também em medirmos bem o uso desses recursos para que não haja desperdício e nem o mau-uso.

Veja a seguir a matéria na qual Santos=Dumont apresenta o uso de “placas aéreas” como parte da solução do desenvolvimento de um dirigível projetado para carregar passageiros, tal como um ônibus aéreo, e tire suas próprias conclusões.
 
Dirigível Santos=Dumont n.10 - "o Ônibus" com suas "placas aéreas" 
Jornalista e Artista do Evening Journal, Coffin, entrevista o inventor e explica suas idéias – 30 de julho de 1902

Por G. A Coffin.

Homem de fibra, intelectual e físico.
Essa é a impressão que você tem quando se conversa com Santos-Dumont, o aeronauta brasileiro. Ele é um fatalista. De modo geral, os navegadores do ar recorrem a todas as garantias em suas empreitadas perigosas, mas o Sr. Santos confia inteiramente ao seu dirigível, descartando o pára-quedas e apenas diz, elevando os ombros, quando considera a possibilidade de um acidente durante o vôo é abordado :
"Bem, então estará tudo acabado."

Ao discutir a navegação aérea, Sr. Santos é bastante cus-creativo*. Ele admite que a única maneira de se transportar passageiros em uma aeronave é de aumentar enormemente o tamanho do balão e que isso, naturalmente, faria com que seja mais difícil de se manejar em condições climáticas desfavoráveis​​.

O limite de flutuação ou poder de elevação foi praticamente alcançado, utilizando o gás de hidrogênio para as inflações.

Teoricamente, pode ser possível obter um gás que daria um maior poder de elevação. O aumento de potência seria pequeno e o custo grande. Mas a poupança seria tão duvidosa e os resultados tão pequenos que seria inútil cogitar sobre ele.

Assim como todos os outros, que estudaram o assunto. Sr. Santos verá que ele deve manter-se em outra direção procurar assistência em alguma outra fonte.

Sua mais recente experiência

Ele me informou que seu balão "mergulha" durante os voos. Balança como se estivesse cavalgando em uma ondulação do oceano.

A fim de corrigir parcialmente essa tendência o jovem aeronauta planejou duas partições em seu balão, que dividem o saco de gás em três compartimentos. As superfícies das partições não são envernizadas, tem pequenos furos e são porosas, permitindo que o gás se infiltre ou passe lentamente através ‘dessa membrana’, evitando os males do ‘repentino’ deslocamento de gás.

Para fazer o seu dirigível absolutamente estável Sr. Santos está prestes a adicionar algumas placas aereas à estrutura. Estes são quadros simples de algum material leve, mas forte. Bambu ou de alumínio, na qual, seda leve será esticada. O ajuste destas à vontade do operador irá se provar eficaz em dar maior controle a aeronave.

Esta leve alteração feita por Santos-Dumont não parece indicar nenhuma mudança muito radical na construção, mas na realidade é uma alteração notável de seu design.

O jovem brasileiro, para alguns, pode parecer um homem muito restrito, mas para mim a sua capacidade de ver as coisas de um lado só aparece como o resultado de que a qualidade suprema que todo homem bem-sucedido possui, ou seja, a concentração.

Ele vai aprender tudo o que há para ser aprendido e colocar a utilização prática de seu conhecimento, e ai então, desviá-la para alguma outra fase e lenta e seguramente, chegará a resultados práticos que o mundo inteiro haverá de apreciar.

Creio que quando ele dominar completamente o poder de elevação das placas aéreas, ele irá adicionar muitas dessas a seus futuros dirigíveis, e descobrirá que, sem dúvida, acrescentou muito para o poder de elevação, e por fim será capaz de construir uma nave capaz de transportar um grande número de passageiros sem aumentar o atual tamanho do balão.

Outra coisa que seria de grande ajuda em sua empreitada de navegação pelo ar seria a possibilidade de liquefação do hidrogênio. Se isso pudesse ser feito em condições comerciais, o Sr. Santos iria apenas ter que carregar alguns pequenos recipientes contendo hidrogênio líquido, e lançaria uma pequena quantidade de cada vez para manter o balão cheio. Há, naturalmente, muitas dificuldades no caminho, porem sabemos que, sem dúvida, serão por ele superadas, como outras tantas antes dessas.



*Cus-criativo –termo em inglês “cus-creative”, que se refere ao ato de canalizar a criatividade às customizações. Algo como uma criatividade dirigida ou direcionada às aplicações em pauta.

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A ' família'  de inventos de Santos=Dumont - desenho dele, de 08 de janeiro de 1929

Logica do processo o de inventivo de Santos=Dumont

 “O homem é incapaz de voar” – essa fala que era constantemente ouvida por Santos=Dumont não o desanimou. Sabia que o voo era plausível, tudo que tinha a fazer era abstrair o conceito de impossibilidade. Em sua mente não havia escassez de recursos, muito pelo contrario, S=D testou uma gama enorme de possibilidades reais de voo.

 Esses foram os passos dados por Santos=Dumont para obter suas invenções, observe que tal como a natureza faz, ele não deu saltos. Cada descoberta foi fruto de um processo de raciocínio (de uma mente privilegiada) aplicado em situações praticas, em uma sequencia logica impecável.

1 – Constatou que a invenção do avião, do voo do mais pesado que o ar seja possível, posto que os pássaros, insetos e outros animais voam;
2 – Começou seu processo inventivo a partir da tecnologia aérea em vigor, balões cativos e motores a vapor;
3 – Questionou o uso de motores a petróleo e passo a passo inventou a dirigibilidade dos balões;
4 – Evoluiu seu invento seguindo uma ordem logica de invenções até aperfeiçoar seu dirigível ao estado da arte;
5 – Começou a fazer experimentos com o mais pesado que o ar, estudou a flutuação do mais pesado que o ar com a ajuda da deslocação e da dirigibilidade (n.11 e n.14), e em testes na água (n. 18);
6 – Criou o voo do mais pesado que o ar (n. 14 Bis);

7 - Aperfeiçoou o voo do mais pesado que o ar em diversas outras aeronaves (n. 15 a n.20);

terça-feira, 13 de maio de 2014

Encontro pessoal com Santos=Dumont

Santos=Dumont na frente de Seu apartamento, a bordo do dirigível de Numero 9
Por mais que não tenha um museu totalmente dedicado a Santos=Dumont e suas atividades, tenho encontrado muita coisa interessante na França que me fez até mesmo a voltar no tempo, encontrando-me em momentos tais como os vivenciados pelos habitantes de Paris na época em que Santos=Dumont ainda voava em seus céus.

Se você quer se encontrar com Santos=Dumont em Paris, o primeiro lugar que deve ir é o Restaurante e Boate Mood - 114 Avenue des Champs Élysées, 75008 Paris, França, Telefone:+33 1 42 89 98 89, Horário: Terças a domingo das 11:30–02:00
Le Mood na Champs Elysées - Restaurante localizado onde foi a residencia de Santos=Dumont em Paris
 
Lindo vitral do apartamento de S=D em Paris

O dia mais emocionante da viagem foi 20 de Julho de 2013, dia do aniversario de 140 anos de Santos=Dumont. Nesse dia, alguns fans franceses do Blog 'A Vida Maravilhosa de Santos=Dumont' me levaram para jantar no Mood, apartamento que pertenceu a S=D.

Com pratos deliciosos e uma atmosfera de balada para o publico descolado, o lugar foi aberto exatamente no prédio em que Santos=Dumont morava.

Saiba mais sobre o apartamento de Santos=Dumont em Paris

Sugiro ainda que passe ainda durante o dia para visitar o prédio e conhecer os lindos vitrais que davam para a parte interna de sua casa.

Depois disso você pode ir a pé até o l'Aéro-Club de France, leva cerca de 15 minutos.
l'Aéro-Club de France, Endereço: 6 Rue Galilée, 75116 Paris, França Telefone:+33 1 47 23 72 72 Horário: 09:00–12:30, 14:00–17:00
 
Prato do dia no l'Aéro-Club de France

Linda Porta de Entrada do l'Aéro-Club de France
Busto de Santos=Dumont em exposição no l'Aéro-Club de France


Lugar onde tambem servem um bom almoço a preços bem decentes e pode-se ver um busto exclusivo, modelos de aeronaves e dirigíveis.

Outro lugar interessante para se sentir nos tempos de  Santos=Dumont e a livraria "Larguez les amarres" 27, rue de la Gaîté 75014 PARIS aberto de terças a sábados das 11h-13h / 14h-19h30 - Métro "Edgar Quinet" L 6 Métro "Gaîté". La você pode encontrar uma variedade enorme de livros e modelos de aeronaves para montar e já prontas, replicas de balões e dirigíveis, bem como livros incríveis sobre S=D e outros pioneiros da aviação.
 
Maquetes e livros no Larguez les Amarres
Agora, o local onde eu mais gostei de visitar foi onde se vê a maior coleção de Arte Nouveau na França...

Fica em Champagne, a casa que pertenceu ao casal Pierre Perrier e Rose Adele Jouët, da famosa marca de champagne Perrier Jouët. 

Champagne Perrier-Jouët - 28 Avenue de Champagne - 51200 Épernay.


Nesta casa também se encontra a maior quantidade de quadrinhos com ilustrações de SEM – Georges Goursat, bem como quadros de Toulouse-Lautrec, Monet, entre outras raridades –  claramente, la tambem vemos a garrafa pintada a mão por Emile Gallet, que serviu de inspiração para a criação do mais romântico dos champagnes, o cuvée de Prestige Bele Epoque.
Casa de Perrier Jouët
Veja as muitas Ilustrações de SEM, penduradas em diversas paredes da casa.
Na Maison Perrier jouët em Epernay encontra-se a primeira Garrafa de Perrier Jouët pintada a mão por Emile Gallet Guardada em rara cristaleira - Respira-se o ar da Art Nouveau em todos os ambientes da casa

Se quiser saber de mais lugares para se ver Santos=Dumont em paris e no mundo acesse – lugares para se ver Santos=Dumont - 

Como se fosse um presente, ao final da viagem, vimos um incrível balão cativo voando sobre o céu de Paris - foi como se o próprio espirito de Santos=Dumont nos enviasse uma mensagem de 'bom voo'.

Como se fosse um presente, ao final da viagem, vimos um incrível balão cativo voando sobre o céu de Paris - foi como se o próprio espirito de Santos=Dumont nos enviasse uma mensagem de 'bom voo'

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Comemorações do Primeiro vôo do Mais pesado que o Ar da história - feito por Santos=Dumont

Santos=Dumont com seu 14-Bis desmontado


A exatos 106 anos atrás Santos=Dumont vivia o dia mais feliz de sua vida, ele havia feito o primeiro vôo com o mais pesado do que o ar.
Ao contrario dos irmãos Wright, Santos=Dumont havia voado na frente de uma comissão técnica na presença de diversas testemunhas, portanto foi o primeiro vôo homologado da historia.


Em seu livro Dans l’air Santos Dumont relata:

“Logo depois, em 23 de outubro, perante a Comissão Científica do Aero Club e de grande multidão fiz o célebre vôo de 250 metros, que confirmou inteiramente a possibilidade de um homem voar.
Esta última experiência e a de 12 de julho de 1901, me proporcionaram os dois momentos mais felizes de toda a minha vida”.

Artigo publicado na revista  “O Cruzeiro" que conta o caso do pitoresco burrico chamado Kuignot ao ajudar Santos=Dumont em seus experimentos.
Uma fã é fotografada junto ao seu ídolo Santos=Dumont pouco depois de ter sido o primeiro homem a voar com uma aeronave mais pesado do que o ar - Campo de Bagatelle, Paris, no dia 23 de outubro de 1906. Nessa data, Santos Dumont decolou com seu 14 Bis e percorreu 60 metros em 7 segundos, voando a uma altura de 2 metros do solo, perante mais de mil espectadores e da Comissão Oficial do Aeroclube da França. (i.e. montagem ilustrativa)


14-bis sendo levado em meio a multidão


O fato foi lembrado em diversas datas diferentes, a mais significativa foi feita por Marcos Pontes o primeiro astronauta brasileiro em missão ao espaço.


Às 23h30 do dia 29 de março de 2006, o astronauta brasileiro, tenente-coronel Marcos Cesar Pontes, deixou a Base de Baikonur, no Cazaquistão, a bordo da nave russa Soyuz TMA-7, foi para a Estação Espacial Internacional, em companhia do astronauta norte-americano William McArthur eo russo ValeryTokariov. Era a chamada de "Missão do Centenário", em homenagem ao primeiro vôo de Santos=Dumont.
Marcos Pontes e sua homenágem a Santos=Dumont (com um chapeu Panama Hat e um lenço que pertenceu ao aviador)

No dia 3 de abril de 2006 foi transmitida a entrevista com homenagem a Santos Dumont, na qual Marcos Pontes usou a bordo da Estação Espacial Internacional um chapéu Panamá igual ao do inventor e um lenço que pertenceu a Santos=Dumont. 
Lenço que pertenceu a Santos=Dumont com os carimbos do Estação Especial Internacional e o carimbo datado (08 de Abril de 2006) do segmento Russo da Estação especial internacional (Российский сегмент Международной космической станции)


Marcos retornou à Terra na noite do dia 8 de abril, 20h56 no horário de Brasília, e manhã do dia 9 de abril no horário do Cazaquistão.
Configuração do 14 Bis em seu primeiro voo

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Foi com este modelo que conquistou a taça Archdeacon - voou no dia 23 de outubro 60m a 3m de altura


Neste modelo S=D colocou sua última invenção o Aileron - No dia 12 de Novembro voa 220m a 60 m de altura


S=D também inventou o mecanismo de Partida para o 14-Bis




sexta-feira, 20 de julho de 2012

Doodle de Santos=Dumont

Gostei muito da homenagem feita pelo Google de hoje pelo aniversario de Alberto Santos=Dumont. Este é talvez o brasileiro de maior relevância de nossa historia, o qual defendemos ser o legitimo inventor da aeronave autônoma mais pesada que o ar.

Questões polemicas a parte, saúdo a iniciativa do Google.






sexta-feira, 15 de junho de 2012

A ciência por trás dos invólucros e válvulas dos dirigíveis de Santos=Dumont


Santos=Dumont usou a força ascensional de hidrogênio em quase todos os seus dirigíveis. Ao contrário de balões modernos que fazem uso de ar quente, os invólucros de hidrogênio eram selados e à pressão interna era controlada através de válvulas.


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A tecnologia de balões de gás é bastante antiga, esta ilustração do final do século 19 mostra Jacques Charles realizando uma experiência com o primeiro balão de gás hidrogênio, em agosto, 27 de 1783, no Champ de Mars, em Paris.

O sistema para obter hidrogênio foi inventado pelo balonista e fabricante francês Gabriel Yon (1835-1894). Consistia em colocar um pouco de limalha de ferro em ácido sulfúrico diluído em duas cubas de grandes dimensões. Bolhas de hidrogênio eram formadas e  bombeadas por tubos através da água para limpá-las de impurezas. E por fim eram armazenados em tanques de aço sob pressão.

A associação de invólucro de hidrogênio e motores a explosão de gasolina era muito perigosa, dezenas de dirigíveis explodiram ou foram queimados nos anos que seguiram, o mais famoso deles foi o desastre do Hindenburgque que ocorreu no dia 6 de maio de 1937, com o dirigível alemão de passageiros LZ 129 Hindenburg,  pegou fogo e foi destruído durante a sua tentativa de aterrar na Estação Aero-Naval Lakehurst matando 35 pessoas.

Esta videografia de alta velocidade em mil quadros por segundo torna possível observar em detalhe a seqüência de eventos após um balão ter sido queimado com um fósforo. 
Santos=Dumont fez uso da tecnologia disponível na época para criar dirigíveis muito seguros em relação ao anti-inflamabilidade e o invólucro mais perfeito foi usado em seu Dirigível Número 6.

Como observado em vários acidentes que aconteceram antes da conquista do prêmio Deutsch, Dumont sabia que o invólucro não poderia ser muito longo, pois corria o risco de dobrar-se ao meio, como aconteceu com seus dirigíveis numero 1 e 2. Ele também sabia que deveria tomar um cuidado muito especial com a expansão e contração do hidrogênio em diferentes altitudes, como aconteceu com Augusto Severo.

Augusto Severo era um parlamentar brasileiro que dedicou sua vida a dirigíveis, ele morreu tragicamente em 12 de maio de 1902, quando fazia manobras com seu dirigível chamado Pax, em Paris. Quinze minutos após sua decolagem do Parque Vaugirand o invólucro rígido rompeu-se devido à expansão de hidrogênio em meio a atmosfera rarefeita liberando hidrogênio diretamente sobre o motor de combustão interna e causou uma enorme explosão, destroços em chamas caíram sobre a Avenue du Maine, causando alvoroço na da cidade.
No quadro acima a Figura 1 mostra uma fuga súbita de hidrogênio e na figura 2, o ventilador é usado para insuflar o balonete interno e evitar a dobra invólucro ao meio.
No gráfico acima, podemos ver na Figura 1, o Dirigível Santos=Dumont Número 6 subiu muito, a atmosfera rarefeita fez a pressão no interior do invólucro aumentar. Na figura 2 a válvula de segurança abre automaticamente para impedir o colapso do invólucro.
No gráfico acima, vemos na Figura 1 Santos=Dumont decide voluntariamente esvaziar o invólucro. na Figura 2, ele liga a ventoinha para inflar o balonete para evitar a dobra invólucro ao meio.
Santos=Dumont sabia como compensar as variações de pressão por meio  de válvulas de segurança que funcionavam automaticamente, deixando escapar o gás quando a pressão aumentava significativamente e fechava automaticamente quando a pressão voltava ao normal. Válvulas manuais e um balonete interno inflável era inflado com uma ventoinha e esvaziado diretamente de sua nascele.

Ele também tinha um grande cuidado com o seu invólucro, exigia que fosse sempre bem costurado e envernizado para evitar vazamentos, acima vemos Santos Dumont na sede das oficinas de Lachambre & Machuron supervisionando a confecção de seu envelope. Ele também fazia questão de manter o balão longe o suficiente do tubo de escape do motor, que poderia queimar o delicado invólucro feito de seda japonesa.

segunda-feira, 5 de março de 2012

A arte imita a vida e a vida imita a arte Julio Verne – Santos=Dumont – Tom Swift



O excêntrico Santos=Dumont pilota uma carroça puxada por um Avestruz

Da mesma forma que as historias de Julio Verne inspiraram Santos=Dumont a criar suas maquinas voadoras, suas maquinas voadoras inspiraram outros escritores a criar seus personagens. As excentricidades de Santos=Dumont e sua vida de aventuras inspirou muitos aventureiros e escritores, logo após sua viagem aos Estados Unidos e seu retorno a Paris, grande número de brinquedos e publicações apareceram. Eu acredito que Tom Swift foi o personagem mais expressivo já criado com base na vida real de Santos=Dumont.


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Tom Swift é o nome do personagem central de uma série de cinco livros, criado em 1910 totalizou mais de 100 volumes de ficção científica americana juvenil e romances de aventura que enfatizam a invenção, ciência e a tecnologia.
Carro elétrico de Tom Swift e o Buggy elétrico de Santos=Dumont

Edward Stratemeyer e um dos escritores mais prolíficos do mundo, escreveu mais de 1.300 livros, criou o personagem em si, vendeu mais de 500 milhões de cópias e criou a famosa série de ficção-livro para jovens.

 Aeroplano combinado com dirigível de Tom Swifte e o Santos=Dumont Número 14. 

A maioria das invenções da série Tom Swift eram extrapoladas a partir de invenções reais de diversos inventores, como vemos aqui, o balão avião conjugado com o dirigível, perfeitamente inspirado no Santos=Dumont Número 14.
Telescópio Gigante de Tom Swift e o Telescópio gigante de Santos=Dumont. 

É claro que muitos outros personagens da vida real inspirarão Stratemeyer a criar Tom Swift, no entanto, vários exemplos podem ser encontrados com elementos em comum com a história real de Santos=Dumont.