domingo, 20 de julho de 2014

Luiz Pagano recebe a medalha 'Mérito de Cabangú'

Luiz Pagano recebe a medalha 'Mérito de Cabangú' das mãos de Tomás Castelo Branco
Nesta sexta feira tive a grande honra de receber a medalha “Mérito Cabangú” pelos meus trabalhos de preservação, divulgação e melhoria da memória de Santos=Dumont, que podem ser vistas neste blog.

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A solenidade aconteceu no ultimo dia 18 de julho de 2014, na Fazenda Cabangú em Santos Dumont – MG, em evento realizado pela comemoração do 141o aniversario de nascimento de Santos=Dumont, pela Fundação Casa de Cabangú, o patrono Jorge Henrique Dumont Dodsworth, a Escola Preparatória de Cadetes do Ar e a Prefeitura Municipal de Santos Dumont – MG. Lá foram entregues as medalhas “Mérito Cabangú” e “Mérito Santos Durnont”.
 
Luiz Pagano e Jane Bieringuer em Cabangú - MG
A Medalha “Mérito Cabangú” foi criada no dia 02 de abril de 2005, é comemorativa ao nascimento de Alberto Santos Dumont, em 20 de julho de 1873 na Fazenda Cabangú. Foi criada para distinguir pessoas que tenham contribuído para a preservação, divulgação e melhoria do “Museu Casa Natal de santos Dumont”. A Medalha “Mérito Santos Dumont” foi instituída no Ministério da Aeronáutica por Decreto nº 39.905 de 5 de setembro de 1956 em homenagem à Alberto Santos=Dumont em comemoração ao 1º vôo do 14 Bis. É Distinção concedida a cidadãos que se tenham tornados credores de homenagens da Força Aérea Brasileira.

Ao chegar, fui gentilmente recebido pela Sr.ª Monica e pelo Sr. Tomás Castelo Branco, coordenadores da Fundação Casa de Cabangú e curadores do museu de mesmo nome, em meio a banda de música e corneteiros militares, fui convidado a tomar meu lugar na tribuna de honra.

A cerimônia começou exatamente as 10 horas da manhã com honras militares e homenagem ao Patrono da Aeronáutica, Marechal do Ar Alberto Santos=Dumont, a seguir os militares entram em forma, foi feita a Leitura da Ordem do Dia pelo Comandante da Aeronáutica, o canto do Hino dos Aviadores, e por fim a entrega das medalhas, feita pelo senhor Tomás Castelo Branco.

Dentre os agraciados deste ano, estava o astrônomo do Observatório Astronômico de Piracicaba, Nelson Travnik, autor da primeira fotografia brasileira da cratera Santos-Dumont na Lua, feita em 2006, ano das comemorações dos 100 anos do vôo do 14-Bis.

Outros agraciados com a medalha em anos anteriores foram o Dr. Henrique Lins de Barros, pesquisador e biografo de Santos=Dumont com diversos trabalhos publicados, João Luís Musa fotografo que restaurou e publicou incríveis fotos inéditas do aviador e a também grande biografa Srª Laurete Godoy, autora de sete livros sobre a aviação e sobre a mitologia grega.
 
Luiz Pagano recebe a medalha 'Merito de Cabangú' - Com gola alta, relógio Cartier Santos e Chapeu S=D
Ao final da entrega, eu junto aos outros possuidores das medalhas, que havíamos saído de forma para postarmo-nos à direita da Bandeira, voltamos aos nossos lugares na tribuna de honra para presenciarmos o momento mais emocionante do dia, quando Tomás contou a historia do Museu de Cabangú.

Poucos sabem que a idéia da construção do museu surgiu no mesmo dia da morte do aviador, bem como a mudança do nome da cidade. A mudança de nome aconteceu rapidamente, no dia 31 de julho de 1932 o decreto estadual n° 10.447 mudou o nome da cidade de Palmyra, em Minas Gerais, para Santos-Dumont, já o surgimento do museu ainda segue um caminho bem mais difícil.

Alguns dias depois da morte do aviador no ano de 1932, alguns cidadãos da então Palmyra, decidiram ver como estava sua fazenda natal e ficaram muito tristes ao ver a casa depredada, habitada por invasores e com os pertences e documentos do aviador espalhados do lado de fora.  Imediatamente expulsaram os invasores e procederam com a guarda dos bens existentes na casa de Cabangú.

O estatuto do museu só foi redigido em 09 de Fevereiro de 1949, mas as duras lutas para a proteção da Casa Natal e Fazenda de Santos Dumont pareciam ser tarefa por demais ingrata. Sem qualquer ajuda de qualquer órgão público, a fundação só foi receber a primeira visita do Ministério da Aeronáutica no dia 23 de Outubro de 1952, que passou a olhar pelo legado histórico.

Quando do centenário do nascimento do aviador, no ano de 1973, foi criada a Comissão Nacional das Comemorações da Aeronáutica, formou-se então o Museu Casa Natal de Santos=Dumont e até mesmo foi construída uma estrada ligado o museu à malha rodoviária pela BR 499.

Finalmente em 2006 museu recebeu a primeira ajuda do Governo Federal e uma sede administrativa foi construída. O sonho de Alberto Santos=Dumont, que deixara bem claro a intenção de transformar a casa da fazenda em museu, começou a dar seus primeiros passos.

Segundo o Sr. Tomás, ainda há muito o que ser feito, e ele (assim como eu) espera um dia ver o nosso país dar o devido valor ao legado histórico de Santos=Dumont, bem como ao de toda nossa nação.
 
Militares entram em forma em Cabangú - foi feita a Leitura da Ordem do Dia pelo Comandante da Aeronáutica e o canto do Hino dos Aviadores
A seguir, a letra do Hino dos Aviadores

Vamos filhos altivos dos ares
Nosso vôo ousado alçar
Sobre campos, cidades e mares
Vamos nuvens e céus enfrentar

D´astro rei desafiamos os cimos
Bandeirantes audazes do azul
Às estrelas de noite subimos
Para orar ao Cruzeiro do Sul

Contato, companheiros !
Ao vento sobranceiros
Lancemos o roncar
Da hélice a girar

Mas se explode o corisco no espaço
Ou a metralha na guerra rugir
Cavaleiros do século do aço
Não nos faz o perigo fugir

Não importa a tocaia da morte
Pois que a pátria dos céus o altar
Sempre erguemos de ânimo forte
O holocausto da vida a voar

Contato, companheiros !
Ao vento sobranceiros
Lancemos o roncar

Da hélice a girar

terça-feira, 27 de maio de 2014

Santos=Dumont – Pai da ‘Filosofia Pós-escassez’

A idéia de Santos = Dumont de compartilhar conhecimento, sem qualquer compromisso com as leis de patentes, focando apenas o único objetivo de conquistar o vôo, certamente causou a antecipação da descoberta da aeronave até o início do século 20. Mas também foi a grande causa da má interpretação dos americanos conferindo aos irmãos Wright o status de inventores do avião.

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Santos = Dumont antecipou a filosofia "wiki" em mais de 100 anos, no qual todas as informações sobre uma invenção, em um processo de desenvolvimento específico, são colocados à disposição de todos, a fim de multiplicar as chances de avanço - abrindo oportunidades para um maior número de pessoas envolvidas na questão, visando a criação definitiva da tal invenção (o termo "wiki" para designar esse fenômeno aparece hoje no site da Wikipedia e também no livro "Wikinomics", de Anthony D. Williams e Don Tapscott) - saiba mais sobre Santos=Dumont pai da filosofia Wiki

O que hoje é conhecido como "filosofiade pós-escassez", também foi criado por Santos Dumont- mas hoje o termo "pós-escassez" ainda é tida mais como ficção científica, que uma ciência.

O processo de invenção / criação através do método de "pós-escassez" implica em usar com devoção intelectual completa, procurando resolver os problemas, em relação aos estágios de criação, levando em consideração que "podemos encontrar na natureza todo e qualquer recurso para resolver todo e qualquer problema".

A ‘pós-escassez’ é o método no qual a profunda observação da natureza, aliada ao mais perfeito uso da mente criativa, permite testar a exaustão todas as possibilidades para obter a invenção de algo, em sua melhor forma.

- A escassez acaba no momento em que percebemos a natureza ilimitada de recursos que consideramos, por ignorância, como escassos.-

Como o próprio nome diz, o método de ‘pós-escassez’ implica também em medirmos bem o uso desses recursos para que não haja desperdício e nem o mau-uso.

Veja a seguir a matéria na qual Santos=Dumont apresenta o uso de “placas aéreas” como parte da solução do desenvolvimento de um dirigível projetado para carregar passageiros, tal como um ônibus aéreo, e tire suas próprias conclusões.
 
Dirigível Santos=Dumont n.10 - "o Ônibus" com suas "placas aéreas" 
Jornalista e Artista do Evening Journal, Coffin, entrevista o inventor e explica suas idéias – 30 de julho de 1902

Por G. A Coffin.

Homem de fibra, intelectual e físico.
Essa é a impressão que você tem quando se conversa com Santos-Dumont, o aeronauta brasileiro. Ele é um fatalista. De modo geral, os navegadores do ar recorrem a todas as garantias em suas empreitadas perigosas, mas o Sr. Santos confia inteiramente ao seu dirigível, descartando o pára-quedas e apenas diz, elevando os ombros, quando considera a possibilidade de um acidente durante o vôo é abordado :
"Bem, então estará tudo acabado."

Ao discutir a navegação aérea, Sr. Santos é bastante cus-creativo*. Ele admite que a única maneira de se transportar passageiros em uma aeronave é de aumentar enormemente o tamanho do balão e que isso, naturalmente, faria com que seja mais difícil de se manejar em condições climáticas desfavoráveis​​.

O limite de flutuação ou poder de elevação foi praticamente alcançado, utilizando o gás de hidrogênio para as inflações.

Teoricamente, pode ser possível obter um gás que daria um maior poder de elevação. O aumento de potência seria pequeno e o custo grande. Mas a poupança seria tão duvidosa e os resultados tão pequenos que seria inútil cogitar sobre ele.

Assim como todos os outros, que estudaram o assunto. Sr. Santos verá que ele deve manter-se em outra direção procurar assistência em alguma outra fonte.

Sua mais recente experiência

Ele me informou que seu balão "mergulha" durante os voos. Balança como se estivesse cavalgando em uma ondulação do oceano.

A fim de corrigir parcialmente essa tendência o jovem aeronauta planejou duas partições em seu balão, que dividem o saco de gás em três compartimentos. As superfícies das partições não são envernizadas, tem pequenos furos e são porosas, permitindo que o gás se infiltre ou passe lentamente através ‘dessa membrana’, evitando os males do ‘repentino’ deslocamento de gás.

Para fazer o seu dirigível absolutamente estável Sr. Santos está prestes a adicionar algumas placas aereas à estrutura. Estes são quadros simples de algum material leve, mas forte. Bambu ou de alumínio, na qual, seda leve será esticada. O ajuste destas à vontade do operador irá se provar eficaz em dar maior controle a aeronave.

Esta leve alteração feita por Santos-Dumont não parece indicar nenhuma mudança muito radical na construção, mas na realidade é uma alteração notável de seu design.

O jovem brasileiro, para alguns, pode parecer um homem muito restrito, mas para mim a sua capacidade de ver as coisas de um lado só aparece como o resultado de que a qualidade suprema que todo homem bem-sucedido possui, ou seja, a concentração.

Ele vai aprender tudo o que há para ser aprendido e colocar a utilização prática de seu conhecimento, e ai então, desviá-la para alguma outra fase e lenta e seguramente, chegará a resultados práticos que o mundo inteiro haverá de apreciar.

Creio que quando ele dominar completamente o poder de elevação das placas aéreas, ele irá adicionar muitas dessas a seus futuros dirigíveis, e descobrirá que, sem dúvida, acrescentou muito para o poder de elevação, e por fim será capaz de construir uma nave capaz de transportar um grande número de passageiros sem aumentar o atual tamanho do balão.

Outra coisa que seria de grande ajuda em sua empreitada de navegação pelo ar seria a possibilidade de liquefação do hidrogênio. Se isso pudesse ser feito em condições comerciais, o Sr. Santos iria apenas ter que carregar alguns pequenos recipientes contendo hidrogênio líquido, e lançaria uma pequena quantidade de cada vez para manter o balão cheio. Há, naturalmente, muitas dificuldades no caminho, porem sabemos que, sem dúvida, serão por ele superadas, como outras tantas antes dessas.



*Cus-criativo –termo em inglês “cus-creative”, que se refere ao ato de canalizar a criatividade às customizações. Algo como uma criatividade dirigida ou direcionada às aplicações em pauta.

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A ' família'  de inventos de Santos=Dumont - desenho dele, de 08 de janeiro de 1929

Logica do processo o de inventivo de Santos=Dumont

 “O homem é incapaz de voar” – essa fala que era constantemente ouvida por Santos=Dumont não o desanimou. Sabia que o voo era plausível, tudo que tinha a fazer era abstrair o conceito de impossibilidade. Em sua mente não havia escassez de recursos, muito pelo contrario, S=D testou uma gama enorme de possibilidades reais de voo.

 Esses foram os passos dados por Santos=Dumont para obter suas invenções, observe que tal como a natureza faz, ele não deu saltos. Cada descoberta foi fruto de um processo de raciocínio (de uma mente privilegiada) aplicado em situações praticas, em uma sequencia logica impecável.

1 – Constatou que a invenção do avião, do voo do mais pesado que o ar seja possível, posto que os pássaros, insetos e outros animais voam;
2 – Começou seu processo inventivo a partir da tecnologia aérea em vigor, balões cativos e motores a vapor;
3 – Questionou o uso de motores a petróleo e passo a passo inventou a dirigibilidade dos balões;
4 – Evoluiu seu invento seguindo uma ordem logica de invenções até aperfeiçoar seu dirigível ao estado da arte;
5 – Começou a fazer experimentos com o mais pesado que o ar, estudou a flutuação do mais pesado que o ar com a ajuda da deslocação e da dirigibilidade (n.11 e n.14), e em testes na água (n. 18);
6 – Criou o voo do mais pesado que o ar (n. 14 Bis);

7 - Aperfeiçoou o voo do mais pesado que o ar em diversas outras aeronaves (n. 15 a n.20);

terça-feira, 13 de maio de 2014

Encontro pessoal com Santos=Dumont

Santos=Dumont na frente de Seu apartamento, a bordo do dirigível de Numero 9
Por mais que não tenha um museu totalmente dedicado a Santos=Dumont e suas atividades, tenho encontrado muita coisa interessante na França que me fez até mesmo a voltar no tempo, encontrando-me em momentos tais como os vivenciados pelos habitantes de Paris na época em que Santos=Dumont ainda voava em seus céus.

Se você quer se encontrar com Santos=Dumont em Paris, o primeiro lugar que deve ir é o Restaurante e Boate Mood - 114 Avenue des Champs Élysées, 75008 Paris, França, Telefone:+33 1 42 89 98 89, Horário: Terças a domingo das 11:30–02:00
Le Mood na Champs Elysées - Restaurante localizado onde foi a residencia de Santos=Dumont em Paris
 
Lindo vitral do apartamento de S=D em Paris

O dia mais emocionante da viagem foi 20 de Julho de 2013, dia do aniversario de 140 anos de Santos=Dumont. Nesse dia, alguns fans franceses do Blog 'A Vida Maravilhosa de Santos=Dumont' me levaram para jantar no Mood, apartamento que pertenceu a S=D.

Com pratos deliciosos e uma atmosfera de balada para o publico descolado, o lugar foi aberto exatamente no prédio em que Santos=Dumont morava.

Saiba mais sobre o apartamento de Santos=Dumont em Paris

Sugiro ainda que passe ainda durante o dia para visitar o prédio e conhecer os lindos vitrais que davam para a parte interna de sua casa.

Depois disso você pode ir a pé até o l'Aéro-Club de France, leva cerca de 15 minutos.
l'Aéro-Club de France, Endereço: 6 Rue Galilée, 75116 Paris, França Telefone:+33 1 47 23 72 72 Horário: 09:00–12:30, 14:00–17:00
 
Prato do dia no l'Aéro-Club de France

Linda Porta de Entrada do l'Aéro-Club de France
Busto de Santos=Dumont em exposição no l'Aéro-Club de France


Lugar onde tambem servem um bom almoço a preços bem decentes e pode-se ver um busto exclusivo, modelos de aeronaves e dirigíveis.

Outro lugar interessante para se sentir nos tempos de  Santos=Dumont e a livraria "Larguez les amarres" 27, rue de la Gaîté 75014 PARIS aberto de terças a sábados das 11h-13h / 14h-19h30 - Métro "Edgar Quinet" L 6 Métro "Gaîté". La você pode encontrar uma variedade enorme de livros e modelos de aeronaves para montar e já prontas, replicas de balões e dirigíveis, bem como livros incríveis sobre S=D e outros pioneiros da aviação.
 
Maquetes e livros no Larguez les Amarres
Agora, o local onde eu mais gostei de visitar foi onde se vê a maior coleção de Arte Nouveau na França...

Fica em Champagne, a casa que pertenceu ao casal Pierre Perrier e Rose Adele Jouët, da famosa marca de champagne Perrier Jouët. 

Champagne Perrier-Jouët - 28 Avenue de Champagne - 51200 Épernay.


Nesta casa também se encontra a maior quantidade de quadrinhos com ilustrações de SEM – Georges Goursat, bem como quadros de Toulouse-Lautrec, Monet, entre outras raridades –  claramente, la tambem vemos a garrafa pintada a mão por Emile Gallet, que serviu de inspiração para a criação do mais romântico dos champagnes, o cuvée de Prestige Bele Epoque.
Casa de Perrier Jouët
Veja as muitas Ilustrações de SEM, penduradas em diversas paredes da casa.
Na Maison Perrier jouët em Epernay encontra-se a primeira Garrafa de Perrier Jouët pintada a mão por Emile Gallet Guardada em rara cristaleira - Respira-se o ar da Art Nouveau em todos os ambientes da casa

Se quiser saber de mais lugares para se ver Santos=Dumont em paris e no mundo acesse – lugares para se ver Santos=Dumont - 

Como se fosse um presente, ao final da viagem, vimos um incrível balão cativo voando sobre o céu de Paris - foi como se o próprio espirito de Santos=Dumont nos enviasse uma mensagem de 'bom voo'.

Como se fosse um presente, ao final da viagem, vimos um incrível balão cativo voando sobre o céu de Paris - foi como se o próprio espirito de Santos=Dumont nos enviasse uma mensagem de 'bom voo'

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Comemorações do Primeiro vôo do Mais pesado que o Ar da história - feito por Santos=Dumont

Santos=Dumont com seu 14-Bis desmontado


A exatos 106 anos atrás Santos=Dumont vivia o dia mais feliz de sua vida, ele havia feito o primeiro vôo com o mais pesado do que o ar.
Ao contrario dos irmãos Wright, Santos=Dumont havia voado na frente de uma comissão técnica na presença de diversas testemunhas, portanto foi o primeiro vôo homologado da historia.


Em seu livro Dans l’air Santos Dumont relata:

“Logo depois, em 23 de outubro, perante a Comissão Científica do Aero Club e de grande multidão fiz o célebre vôo de 250 metros, que confirmou inteiramente a possibilidade de um homem voar.
Esta última experiência e a de 12 de julho de 1901, me proporcionaram os dois momentos mais felizes de toda a minha vida”.

Artigo publicado na revista  “O Cruzeiro" que conta o caso do pitoresco burrico chamado Kuignot ao ajudar Santos=Dumont em seus experimentos.
Uma fã é fotografada junto ao seu ídolo Santos=Dumont pouco depois de ter sido o primeiro homem a voar com uma aeronave mais pesado do que o ar - Campo de Bagatelle, Paris, no dia 23 de outubro de 1906. Nessa data, Santos Dumont decolou com seu 14 Bis e percorreu 60 metros em 7 segundos, voando a uma altura de 2 metros do solo, perante mais de mil espectadores e da Comissão Oficial do Aeroclube da França. (i.e. montagem ilustrativa)


14-bis sendo levado em meio a multidão


O fato foi lembrado em diversas datas diferentes, a mais significativa foi feita por Marcos Pontes o primeiro astronauta brasileiro em missão ao espaço.


Às 23h30 do dia 29 de março de 2006, o astronauta brasileiro, tenente-coronel Marcos Cesar Pontes, deixou a Base de Baikonur, no Cazaquistão, a bordo da nave russa Soyuz TMA-7, foi para a Estação Espacial Internacional, em companhia do astronauta norte-americano William McArthur eo russo ValeryTokariov. Era a chamada de "Missão do Centenário", em homenagem ao primeiro vôo de Santos=Dumont.
Marcos Pontes e sua homenágem a Santos=Dumont (com um chapeu Panama Hat e um lenço que pertenceu ao aviador)

No dia 3 de abril de 2006 foi transmitida a entrevista com homenagem a Santos Dumont, na qual Marcos Pontes usou a bordo da Estação Espacial Internacional um chapéu Panamá igual ao do inventor e um lenço que pertenceu a Santos=Dumont. 
Lenço que pertenceu a Santos=Dumont com os carimbos do Estação Especial Internacional e o carimbo datado (08 de Abril de 2006) do segmento Russo da Estação especial internacional (Российский сегмент Международной космической станции)


Marcos retornou à Terra na noite do dia 8 de abril, 20h56 no horário de Brasília, e manhã do dia 9 de abril no horário do Cazaquistão.
Configuração do 14 Bis em seu primeiro voo

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Foi com este modelo que conquistou a taça Archdeacon - voou no dia 23 de outubro 60m a 3m de altura


Neste modelo S=D colocou sua última invenção o Aileron - No dia 12 de Novembro voa 220m a 60 m de altura


S=D também inventou o mecanismo de Partida para o 14-Bis




sexta-feira, 20 de julho de 2012

Doodle de Santos=Dumont

Gostei muito da homenagem feita pelo Google de hoje pelo aniversario de Alberto Santos=Dumont. Este é talvez o brasileiro de maior relevância de nossa historia, o qual defendemos ser o legitimo inventor da aeronave autônoma mais pesada que o ar.

Questões polemicas a parte, saúdo a iniciativa do Google.






sexta-feira, 15 de junho de 2012

A ciência por trás dos invólucros e válvulas dos dirigíveis de Santos=Dumont


Santos=Dumont usou a força ascensional de hidrogênio em quase todos os seus dirigíveis. Ao contrário de balões modernos que fazem uso de ar quente, os invólucros de hidrogênio eram selados e à pressão interna era controlada através de válvulas.


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A tecnologia de balões de gás é bastante antiga, esta ilustração do final do século 19 mostra Jacques Charles realizando uma experiência com o primeiro balão de gás hidrogênio, em agosto, 27 de 1783, no Champ de Mars, em Paris.

O sistema para obter hidrogênio foi inventado pelo balonista e fabricante francês Gabriel Yon (1835-1894). Consistia em colocar um pouco de limalha de ferro em ácido sulfúrico diluído em duas cubas de grandes dimensões. Bolhas de hidrogênio eram formadas e  bombeadas por tubos através da água para limpá-las de impurezas. E por fim eram armazenados em tanques de aço sob pressão.

A associação de invólucro de hidrogênio e motores a explosão de gasolina era muito perigosa, dezenas de dirigíveis explodiram ou foram queimados nos anos que seguiram, o mais famoso deles foi o desastre do Hindenburgque que ocorreu no dia 6 de maio de 1937, com o dirigível alemão de passageiros LZ 129 Hindenburg,  pegou fogo e foi destruído durante a sua tentativa de aterrar na Estação Aero-Naval Lakehurst matando 35 pessoas.

Esta videografia de alta velocidade em mil quadros por segundo torna possível observar em detalhe a seqüência de eventos após um balão ter sido queimado com um fósforo. 
Santos=Dumont fez uso da tecnologia disponível na época para criar dirigíveis muito seguros em relação ao anti-inflamabilidade e o invólucro mais perfeito foi usado em seu Dirigível Número 6.

Como observado em vários acidentes que aconteceram antes da conquista do prêmio Deutsch, Dumont sabia que o invólucro não poderia ser muito longo, pois corria o risco de dobrar-se ao meio, como aconteceu com seus dirigíveis numero 1 e 2. Ele também sabia que deveria tomar um cuidado muito especial com a expansão e contração do hidrogênio em diferentes altitudes, como aconteceu com Augusto Severo.

Augusto Severo era um parlamentar brasileiro que dedicou sua vida a dirigíveis, ele morreu tragicamente em 12 de maio de 1902, quando fazia manobras com seu dirigível chamado Pax, em Paris. Quinze minutos após sua decolagem do Parque Vaugirand o invólucro rígido rompeu-se devido à expansão de hidrogênio em meio a atmosfera rarefeita liberando hidrogênio diretamente sobre o motor de combustão interna e causou uma enorme explosão, destroços em chamas caíram sobre a Avenue du Maine, causando alvoroço na da cidade.
No quadro acima a Figura 1 mostra uma fuga súbita de hidrogênio e na figura 2, o ventilador é usado para insuflar o balonete interno e evitar a dobra invólucro ao meio.
No gráfico acima, podemos ver na Figura 1, o Dirigível Santos=Dumont Número 6 subiu muito, a atmosfera rarefeita fez a pressão no interior do invólucro aumentar. Na figura 2 a válvula de segurança abre automaticamente para impedir o colapso do invólucro.
No gráfico acima, vemos na Figura 1 Santos=Dumont decide voluntariamente esvaziar o invólucro. na Figura 2, ele liga a ventoinha para inflar o balonete para evitar a dobra invólucro ao meio.
Santos=Dumont sabia como compensar as variações de pressão por meio  de válvulas de segurança que funcionavam automaticamente, deixando escapar o gás quando a pressão aumentava significativamente e fechava automaticamente quando a pressão voltava ao normal. Válvulas manuais e um balonete interno inflável era inflado com uma ventoinha e esvaziado diretamente de sua nascele.

Ele também tinha um grande cuidado com o seu invólucro, exigia que fosse sempre bem costurado e envernizado para evitar vazamentos, acima vemos Santos Dumont na sede das oficinas de Lachambre & Machuron supervisionando a confecção de seu envelope. Ele também fazia questão de manter o balão longe o suficiente do tubo de escape do motor, que poderia queimar o delicado invólucro feito de seda japonesa.

segunda-feira, 5 de março de 2012

A arte imita a vida e a vida imita a arte Julio Verne – Santos=Dumont – Tom Swift



O excêntrico Santos=Dumont pilota uma carroça puxada por um Avestruz

Da mesma forma que as historias de Julio Verne inspiraram Santos=Dumont a criar suas maquinas voadoras, suas maquinas voadoras inspiraram outros escritores a criar seus personagens. As excentricidades de Santos=Dumont e sua vida de aventuras inspirou muitos aventureiros e escritores, logo após sua viagem aos Estados Unidos e seu retorno a Paris, grande número de brinquedos e publicações apareceram. Eu acredito que Tom Swift foi o personagem mais expressivo já criado com base na vida real de Santos=Dumont.


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Tom Swift é o nome do personagem central de uma série de cinco livros, criado em 1910 totalizou mais de 100 volumes de ficção científica americana juvenil e romances de aventura que enfatizam a invenção, ciência e a tecnologia.
Carro elétrico de Tom Swift e o Buggy elétrico de Santos=Dumont

Edward Stratemeyer e um dos escritores mais prolíficos do mundo, escreveu mais de 1.300 livros, criou o personagem em si, vendeu mais de 500 milhões de cópias e criou a famosa série de ficção-livro para jovens.

 Aeroplano combinado com dirigível de Tom Swifte e o Santos=Dumont Número 14. 

A maioria das invenções da série Tom Swift eram extrapoladas a partir de invenções reais de diversos inventores, como vemos aqui, o balão avião conjugado com o dirigível, perfeitamente inspirado no Santos=Dumont Número 14.
Telescópio Gigante de Tom Swift e o Telescópio gigante de Santos=Dumont. 

É claro que muitos outros personagens da vida real inspirarão Stratemeyer a criar Tom Swift, no entanto, vários exemplos podem ser encontrados com elementos em comum com a história real de Santos=Dumont.

sábado, 3 de março de 2012

Discussão de Tom Edison com Santos-Dumont sobre o dirigível




O encontro das duas mentes mais inventivas do mundo no começo do século passado prometia muito, no entanto mostrou-se um tanto quanto inconclusiva. 
Emmanuel Aime - Santos=Dumont - Chapin


Acredito que o principal ponto de divergência entre estes dois gênios foi que Santos=Dumont fazia seus inventos pensando na integração mundial com uma certa leitura “Wiki”, inspirando os próximos inventores a usarem suas idéias livres de patente( a humanidade precisou de quase 100 anos para entender o conceito de inventos sem patente e softwares abertos como fonte de prosperidade).

Já Thomas Edison tinha grande interesse comercial em seus inventos e não dedicava seu tempo a nada que não pudesse ser patenteado e ter resultado financeiro.

Espero que gostem deste artigo americano de maio de 1902

(Copyright 1902 por Herbert Wallace)

THOMAS A. EDISON acredita que a humanidade deveria se envergonhar de si mesmo, porque o problema da navegação aérea por seres humanos não foi resolvido anos atrás. Ele também faz a declaração bastante notável que, enquanto o Santos-Dumont fez uma grande conquista em manejar dirigíveis através do ar, mas demorará muito até que qualquer artifício para a navegação aérea seja comercialmente viável, porque nenhum inventor será capaz de garantir alguma recompensa por sua descoberta nessa linha de trabalho sob as atuais leis de patentes. Para tornar prática essa grande possibilidade, parece que teremos de estabelecer uma espécie de academia de proteção das invenções, que deve recompensar o inventor que transformar o dirigível em sucesso comercial.

"Recentemente eu estive na Flórida e eu vi um grande pássaro - acho que era um abutre - que flutuava no ar por cerca de uma hora inteira sem mover as asas perceptivelmente. Quando Deus fez o pássaro, Ele lhe deu uma máquina capaz de voar, mas Ele não lhe deu muito mais que isso. Ele deu ao pássaro um cérebro muito pequeno com o qual controla os movimentos da máquina, porem deu ao homem um cérebro muito maior em proporção ao do pássaro. "

Sr. Edison não é o primeiro a fazer tal comparação, mas quando ele falou desta forma no outro dia para Santos-Dumont, o aeronauta brasileiro, havia um mundo de significados em suas palavras. O mago dos laboratórios era muito interessado no jovem que maravilhou Paris e o mundo pilotando um dirigível sobre a cidade, não uma, mas várias vezes.

"Você é o único homem que fez tal coisa.", Exclamou o Sr. Edson.

"Tenho certeza que você nunca trabalhou no problema da navegação aérea", respondeu Santos-Dumont ", ou você teria feito anos atrás, mais do que já fiz até agora". O aeronauta não estava tentando ser cortês, ele tem essa grande admiração pelo Sr. Edison e seu gênio inventivo.

"Eu não estou certo sobre isso", disse Edison. "Eu até abordei tal problema certa vez há vários anos e construiu um motor especialmente  leve a ser operado pela explosão da pólvora, experimentei muito em fazê-lo erguer pesos , mas eu trabalhei com um modelo pequeno e não tentei fazê-lo voar. Abandonei estes testes, porque eu tinha uma série de outras coisas para fazer, que eram muito mais rentáveis. "
Santos-Dumont Encontra um apoiador em Edison.

New York Journal - 14 abr 1902

"Eu tive tanto interesse no esquema da máquina voadora de Dumont que eu sugeri a ele a criação de um Aero-Club neste país. Há uma grande quantidade de homens se interessariam em tal empreitada, e provavelmente eu mesmo seria um sócio. “

Famoso navegador aéreo muito satisfeito com sua recepção na casa (de Edson) em Orange NJ – Amanhã ele vai para Washington ".

"Seu modelo em miniatura ainda preso na alfândega."

"A suposta exposição da máquina voadora, que deveria ter sido feita hoje, foi adiada."

O artigo enfatiza o encontro dos dois grandes homens (ontem), quando "O Mágico" conhece melhor o "Rei dos Ares".
Santos-Dumont passou toda a tarde com Thomas Edison sua casa, em Orange, NJ e ficou muito impressionado com as oficinas do Grande Investidor.

No final, Emma Kaufman escreve um artigo "Como Santos-Dumont e visto pelas mulheres"

"Eu te direi," ele continuou de forma sincera, "Se o escritório de patentes apenas protegesse o inventor o bastante o problema da navegação aérea teria sido resolvido há trinta anos atrás."

Deve-se descartar o balão.

Santos-Dumont olhou para Edison com alguma surpresa e virou-se para M. Aime, seu companheiro, para observar que, para que estas leis tivessem sido escritas em bom tempo,  deveriam ter sido escritas antes mesmo de seu nascimento, o Sr. Edison percebeu o desconcerto de seu convidado e disse:

"Mas está tudo bem. Você está no caminho certo. Você construiu um dirigível e você dirigiu-o e você deu um passo em direção à solução final do problema. Mantenha-se nele. Mas livre-se do balão. Reduza-o sempre."

"Você já reparou, o Sr. Edison", perguntou o aeronauta ", que eu estou fazendo o balão menor a cada vez que eu construo um novo dirigível? ".

"Sim, é verdade", respondeu Edison, "mas faça-o ainda menor. Você está indo bem, mas vai levar muito tempo para fazer a coisa comercialmente viável. Quando você tornar a sua porção do balão menor e menor, até que seja tão pequena que você não possa vê-la sem fazer uso de um microscópio, então você terá resolvido o problema. "

Aqui, em poucas palavras, está a solução do Sr. Edison para o problema da navegação aérea. Ele acredita firmemente que esta pode ser resolvida. Mas também acredita firmemente que a solução deve ser alcançada por meio da máquina de voar e não pelo dirigível. Somente com a máquina de voar, diz ele, pode a navegação aérea tornar-se uma realidade tanto segura como comercialmente rentável. Isto ficará claro para o leitor quando for explicado que o termo "dirigível" é aplicado para um mecanismo que, sendo mais leve que o ar, flutua sobre este como um navio flutua na água. Já o termo "máquina voadora", por outro lado, refere-se a forma que esta é usada, de forma que um mecanismo mais pesado do que o ar possa navegar em meio a ele. Em repouso tal aparelho jamais flutuaria, só quando estivesse em alta velocidade, movendo-se em meio ao ar. Na mente de Edison, a navegação aérea é simplesmente uma questão de força motriz devidamente aplicada, para superar a falta de flutuabilidade necessária para fazer o enlevamento de tal máquina e também para mantê-la em movimento a uma determinada posição, a alguns metros de altura sobre a terra.

Ele se refere constantemente a figura do pássaro que qualquer um pode ver subir e voar à vontade.

"Tomemos o caso do abutre", ele disse "aqui há uma máquina natural de vôo que é mil vezes mais pesada que o ar no qual se desloca. Em poucos segundos de vôo pode varrer a uma distância que o homem encontraria repleta de toda sorte de obstáculos e não há praticamente um bater de suas asas nessa operação. Não há nada lá a não ser uma máquina e um pequeno cérebro, e esta não é uma máquina tão notável assim. Por que é que um homem não pode fazer uma máquina voadora tão eficiente quanto o pássaro? Um monte de gente diz que nunca foi concebido a um homem o dom do voo.; que se a natureza quisesse tal coisa, o homem teria sido concebido com a máquina necessária em seu corpo, tal como as aves tem. Mas você poderia muito bem dizer que nunca foi permitido que o homem devesse ter alguma forma de luz, além da luz do sol, da lua e das estrelas que foram originalmente fornecidas para ele, ou que ele não devesse mover-se mais rápido com o auxílio de rodas, porque tais rodas não lhe foram entregues pela natureza.

Nenhuma máquina de vôo elétrico

Alguém perguntou ao Sr. Edison se a sua nova bateria de armazenamento seria de utilidade para resolver o problema da navegação aérea.

"Oh, não, é claro que não", ele respondeu: "Seria muito pesada. Devemos fazer uso da força motriz mais leve possível. Assim, o maior fator deste problema é conseguir um motor muito leve, que será poderoso o suficiente para operar a máquina de voar corretamente. A melhor coisa agora à vista para tal finalidade é a gasolina ou o motor de pólvora, algo que forneça rapidamente força e que, ao mesmo tempo, pese pouco. Santos-Dumont está no caminho certo, a este respeito, a não ser por seu saco de gás. Você não pode controlar um balão numa tempestade de vento. A fim de tornar a aeronave uma possibilidade comercial será necessário fazer a sua operação absolutamente eficiente e a sua utilização segura. A máquina voadora é destinada a ser inventada, mas vai demorar o tempo proporcional a taxa que progredimos no momento. "

Foi sugerido ao Sr. Edison que talvez ele devesse assumir novamente o problema e ajudar em sua solução final.

"Não, eu não vou entrar em nada que não possa ser protegido dos piratas que vivem do trabalho e de invenções dos outros, e eu não acredito que seria possível obter uma patente sobre uma máquina de outros vôos ou uma aeronave ou de qualquer parte de uma que passe pelo teste dos tribunais. Se alguém fizer uma máquina voadora comercialmente bem sucedida, dezenas  de modelos seriam copiados trabalho do inventor original. Não há um juiz no país que possa considerar que houve realmente qualquer invenção de um aparelho, porque muito já foi feito e escrito sobre isso, e o vôo bem sucedido seria feito sobre a luz de invenções anteriores, que ha muito foram acesas. Duvido que algum novo princípio seja descoberto no qual ao menos  um pedido de patente possa ser feito.

"O homem, ou os homens que realmente resolverem o problema de voar pelo ar não descobrirão nada de novo. Maravilhosos e potentes motores de grande compacidade vão ser aplicados a um quadro de extrema leveza e este estará completo. Sem dúvida, este quadro será algo semelhante à estrutura física de um pássaro. Eu não acredito que será difícil, porque temos muitos dispositivos mecânicos, agora, que são superiores aos dispositivos utilizados pela natureza de seres humanos e animais, e não vejo por que não poderíamos desenvolver uma maquina, que seria ao menos igual à “máquina” e ao cérebro de uma ave."

Os esforços do Prof Langley

O Professor S. P. Langley, do Instituto Smithsonian de Washington, foi um dos primeiros homens (nos Estados Unidos) a fazer experiências com máquinas voadoras - Máquinas mais pesadas do que o ar - a não ser que admitamos o Immortal Darius Green ("Darius Green e sua máquina de voar" - famoso poema histórico escrito em 1869 por John Townsend Trowbridge) e sua fictícia maquina voadora em nossa cronologia de experimentos científicos. Professor Langley tinha uma teoria para provar e provou-a. Ele não adentrou em seu “aeródrome” em seus vôos, mas demonstrou, sem sombra de dúvida que o vôo mecânico é possível. Sir Hiram Maxim mostrou isso também com seu “aeroplane”. Como homem de ciência, que tinha muito a fazer, Langley mostrou tudo o que quis. É na hora, agora, de outros tornarem a máquina de voar comercialmente disponível. Foram necessários ao Prof Langley vários anos para desenvolver sua idéia principal, voar, mas durante esses anos, ele chegou a muitas conclusões interessantes que, sem dúvida, serão levadas em conta pelos inventores que estão por vir e prosseguir com a idéia de Edison, de navegar pelo ar.

Em seus experimentos preliminares, o professor Langley mostrou que, desprezando o atrito, que é pouco, uma placa 200-libras poderia ser movida através do ar a uma velocidade de cinqüenta milhas por hora fazendo uso de energia de um cavalo de força. Isso é, o peso uma tonelada poderia deslizar-se horizontalmente através do ar com um motor de apenas 10 cavalos de potência. Em seu dirigível n º 7, Santos-Dumont terá motores de 90 cavalos de potência agregados suficientemente para mover um peso placa plana nove toneladas pelo ar a uma velocidade de cinqüenta quilômetros por hora. A bem da verdade, o Santos-Dumont n º 7 vai pesar quando em queda menos de uma tonelada e quando o saco de gás estiver cheio de hidrogênio toda a máquina terá uma força ascensional de 2.500 libras. Com este equipamento o jovem espera que atingir a velocidade de quarenta e cinco milhas por hora através do ar.

Cartão de Thomas Edison a Santos=Dumont


Deve ser claramente entendido, no entanto, que o tipo de aeronave de Santos-Dumont não pode ser operada mediante um vento forte ou sob efeito dos ventos mutáveis​​, na verdade, o aeronauta não faz qualquer alegação de que ele pode navegar no ar em todos os tipos de clima. Dado tempo justo, Santos-Dumont não irá mais lançar a sua nave e voar sobre cidades e mares, a sensação de medo parece estar inteiramente ausente em seus feitos.

"Eu sempre tenho algo bom para fazer quando estou em minha nave", ele explica, "e eu não tenho tempo para pensar em ter medo. Eu não sei o que é ter medo de cair. "
Experiências de Langley 

Experimentos interessantes

Parece uma crença quase universal de que o próprio ar oferece resistência tremenda para a passagem de qualquer corpo através dele. A bem da verdade, isso não acontece. o pássaro em seu vôo tem sido tanto uma maravilha constante para o homem, bem como promotor inesgotável de esperança de que algum dia, poderemos igualar os seus movimentos aéreos, mas se o ar resiste ao vôo, de acordo com os cálculos.

(Continua na página Sétima.)