terça-feira, 23 de outubro de 2012

Comemorações do Primeiro vôo do Mais pesado que o Ar da história - feito por Santos=Dumont

Santos=Dumont com seu 14-Bis desmontado


A exatos 106 anos atrás Santos=Dumont vivia o dia mais feliz de sua vida, ele havia feito o primeiro vôo com o mais pesado do que o ar.
Ao contrario dos irmãos Wright, Santos=Dumont havia voado na frente de uma comissão técnica na presença de diversas testemunhas, portanto foi o primeiro vôo homologado da historia.


Em seu livro Dans l’air Santos Dumont relata:

“Logo depois, em 23 de outubro, perante a Comissão Científica do Aero Club e de grande multidão fiz o célebre vôo de 250 metros, que confirmou inteiramente a possibilidade de um homem voar.
Esta última experiência e a de 12 de julho de 1901, me proporcionaram os dois momentos mais felizes de toda a minha vida”.

Artigo publicado na revista  “O Cruzeiro" que conta o caso do pitoresco burrico chamado Kuignot ao ajudar Santos=Dumont em seus experimentos.
Uma fã é fotografada junto ao seu ídolo Santos=Dumont pouco depois de ter sido o primeiro homem a voar com uma aeronave mais pesado do que o ar - Campo de Bagatelle, Paris, no dia 23 de outubro de 1906. Nessa data, Santos Dumont decolou com seu 14 Bis e percorreu 60 metros em 7 segundos, voando a uma altura de 2 metros do solo, perante mais de mil espectadores e da Comissão Oficial do Aeroclube da França. (i.e. montagem ilustrativa)


14-bis sendo levado em meio a multidão


O fato foi lembrado em diversas datas diferentes, a mais significativa foi feita por Marcos Pontes o primeiro astronauta brasileiro em missão ao espaço.


Às 23h30 do dia 29 de março de 2006, o astronauta brasileiro, tenente-coronel Marcos Cesar Pontes, deixou a Base de Baikonur, no Cazaquistão, a bordo da nave russa Soyuz TMA-7, foi para a Estação Espacial Internacional, em companhia do astronauta norte-americano William McArthur eo russo ValeryTokariov. Era a chamada de "Missão do Centenário", em homenagem ao primeiro vôo de Santos=Dumont.
Marcos Pontes e sua homenágem a Santos=Dumont (com um chapeu Panama Hat e um lenço que pertenceu ao aviador)

No dia 3 de abril de 2006 foi transmitida a entrevista com homenagem a Santos Dumont, na qual Marcos Pontes usou a bordo da Estação Espacial Internacional um chapéu Panamá igual ao do inventor e um lenço que pertenceu a Santos=Dumont. 
Lenço que pertenceu a Santos=Dumont com os carimbos do Estação Especial Internacional e o carimbo datado (08 de Abril de 2006) do segmento Russo da Estação especial internacional (Российский сегмент Международной космической станции)


Marcos retornou à Terra na noite do dia 8 de abril, 20h56 no horário de Brasília, e manhã do dia 9 de abril no horário do Cazaquistão.
Configuração do 14 Bis em seu primeiro voo

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Foi com este modelo que conquistou a taça Archdeacon - voou no dia 23 de outubro 60m a 3m de altura


Neste modelo S=D colocou sua última invenção o Aileron - No dia 12 de Novembro voa 220m a 60 m de altura


S=D também inventou o mecanismo de Partida para o 14-Bis




sexta-feira, 20 de julho de 2012

Doodle de Santos=Dumont

Gostei muito da homenagem feita pelo Google de hoje pelo aniversario de Alberto Santos=Dumont. Este é talvez o brasileiro de maior relevância de nossa historia, o qual defendemos ser o legitimo inventor da aeronave autônoma mais pesada que o ar.

Questões polemicas a parte, saúdo a iniciativa do Google.






sexta-feira, 15 de junho de 2012

A ciência por trás dos invólucros e válvulas dos dirigíveis de Santos=Dumont


Santos=Dumont usou a força ascensional de hidrogênio em quase todos os seus dirigíveis. Ao contrário de balões modernos que fazem uso de ar quente, os invólucros de hidrogênio eram selados e à pressão interna era controlada através de válvulas.


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A tecnologia de balões de gás é bastante antiga, esta ilustração do final do século 19 mostra Jacques Charles realizando uma experiência com o primeiro balão de gás hidrogênio, em agosto, 27 de 1783, no Champ de Mars, em Paris.

O sistema para obter hidrogênio foi inventado pelo balonista e fabricante francês Gabriel Yon (1835-1894). Consistia em colocar um pouco de limalha de ferro em ácido sulfúrico diluído em duas cubas de grandes dimensões. Bolhas de hidrogênio eram formadas e  bombeadas por tubos através da água para limpá-las de impurezas. E por fim eram armazenados em tanques de aço sob pressão.

A associação de invólucro de hidrogênio e motores a explosão de gasolina era muito perigosa, dezenas de dirigíveis explodiram ou foram queimados nos anos que seguiram, o mais famoso deles foi o desastre do Hindenburgque que ocorreu no dia 6 de maio de 1937, com o dirigível alemão de passageiros LZ 129 Hindenburg,  pegou fogo e foi destruído durante a sua tentativa de aterrar na Estação Aero-Naval Lakehurst matando 35 pessoas.

Esta videografia de alta velocidade em mil quadros por segundo torna possível observar em detalhe a seqüência de eventos após um balão ter sido queimado com um fósforo. 
Santos=Dumont fez uso da tecnologia disponível na época para criar dirigíveis muito seguros em relação ao anti-inflamabilidade e o invólucro mais perfeito foi usado em seu Dirigível Número 6.

Como observado em vários acidentes que aconteceram antes da conquista do prêmio Deutsch, Dumont sabia que o invólucro não poderia ser muito longo, pois corria o risco de dobrar-se ao meio, como aconteceu com seus dirigíveis numero 1 e 2. Ele também sabia que deveria tomar um cuidado muito especial com a expansão e contração do hidrogênio em diferentes altitudes, como aconteceu com Augusto Severo.

Augusto Severo era um parlamentar brasileiro que dedicou sua vida a dirigíveis, ele morreu tragicamente em 12 de maio de 1902, quando fazia manobras com seu dirigível chamado Pax, em Paris. Quinze minutos após sua decolagem do Parque Vaugirand o invólucro rígido rompeu-se devido à expansão de hidrogênio em meio a atmosfera rarefeita liberando hidrogênio diretamente sobre o motor de combustão interna e causou uma enorme explosão, destroços em chamas caíram sobre a Avenue du Maine, causando alvoroço na da cidade.
No quadro acima a Figura 1 mostra uma fuga súbita de hidrogênio e na figura 2, o ventilador é usado para insuflar o balonete interno e evitar a dobra invólucro ao meio.
No gráfico acima, podemos ver na Figura 1, o Dirigível Santos=Dumont Número 6 subiu muito, a atmosfera rarefeita fez a pressão no interior do invólucro aumentar. Na figura 2 a válvula de segurança abre automaticamente para impedir o colapso do invólucro.
No gráfico acima, vemos na Figura 1 Santos=Dumont decide voluntariamente esvaziar o invólucro. na Figura 2, ele liga a ventoinha para inflar o balonete para evitar a dobra invólucro ao meio.
Santos=Dumont sabia como compensar as variações de pressão por meio  de válvulas de segurança que funcionavam automaticamente, deixando escapar o gás quando a pressão aumentava significativamente e fechava automaticamente quando a pressão voltava ao normal. Válvulas manuais e um balonete interno inflável era inflado com uma ventoinha e esvaziado diretamente de sua nascele.

Ele também tinha um grande cuidado com o seu invólucro, exigia que fosse sempre bem costurado e envernizado para evitar vazamentos, acima vemos Santos Dumont na sede das oficinas de Lachambre & Machuron supervisionando a confecção de seu envelope. Ele também fazia questão de manter o balão longe o suficiente do tubo de escape do motor, que poderia queimar o delicado invólucro feito de seda japonesa.

segunda-feira, 5 de março de 2012

A arte imita a vida e a vida imita a arte Julio Verne – Santos=Dumont – Tom Swift



O excêntrico Santos=Dumont pilota uma carroça puxada por um Avestruz

Da mesma forma que as historias de Julio Verne inspiraram Santos=Dumont a criar suas maquinas voadoras, suas maquinas voadoras inspiraram outros escritores a criar seus personagens. As excentricidades de Santos=Dumont e sua vida de aventuras inspirou muitos aventureiros e escritores, logo após sua viagem aos Estados Unidos e seu retorno a Paris, grande número de brinquedos e publicações apareceram. Eu acredito que Tom Swift foi o personagem mais expressivo já criado com base na vida real de Santos=Dumont.


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Tom Swift é o nome do personagem central de uma série de cinco livros, criado em 1910 totalizou mais de 100 volumes de ficção científica americana juvenil e romances de aventura que enfatizam a invenção, ciência e a tecnologia.
Carro elétrico de Tom Swift e o Buggy elétrico de Santos=Dumont

Edward Stratemeyer e um dos escritores mais prolíficos do mundo, escreveu mais de 1.300 livros, criou o personagem em si, vendeu mais de 500 milhões de cópias e criou a famosa série de ficção-livro para jovens.

 Aeroplano combinado com dirigível de Tom Swifte e o Santos=Dumont Número 14. 

A maioria das invenções da série Tom Swift eram extrapoladas a partir de invenções reais de diversos inventores, como vemos aqui, o balão avião conjugado com o dirigível, perfeitamente inspirado no Santos=Dumont Número 14.
Telescópio Gigante de Tom Swift e o Telescópio gigante de Santos=Dumont. 

É claro que muitos outros personagens da vida real inspirarão Stratemeyer a criar Tom Swift, no entanto, vários exemplos podem ser encontrados com elementos em comum com a história real de Santos=Dumont.

sábado, 3 de março de 2012

Discussão de Tom Edison com Santos-Dumont sobre o dirigível




O encontro das duas mentes mais inventivas do mundo no começo do século passado prometia muito, no entanto mostrou-se um tanto quanto inconclusiva. 
Emmanuel Aime - Santos=Dumont - Chapin


Acredito que o principal ponto de divergência entre estes dois gênios foi que Santos=Dumont fazia seus inventos pensando na integração mundial com uma certa leitura “Wiki”, inspirando os próximos inventores a usarem suas idéias livres de patente( a humanidade precisou de quase 100 anos para entender o conceito de inventos sem patente e softwares abertos como fonte de prosperidade).

Já Thomas Edison tinha grande interesse comercial em seus inventos e não dedicava seu tempo a nada que não pudesse ser patenteado e ter resultado financeiro.

Espero que gostem deste artigo americano de maio de 1902

(Copyright 1902 por Herbert Wallace)

THOMAS A. EDISON acredita que a humanidade deveria se envergonhar de si mesmo, porque o problema da navegação aérea por seres humanos não foi resolvido anos atrás. Ele também faz a declaração bastante notável que, enquanto o Santos-Dumont fez uma grande conquista em manejar dirigíveis através do ar, mas demorará muito até que qualquer artifício para a navegação aérea seja comercialmente viável, porque nenhum inventor será capaz de garantir alguma recompensa por sua descoberta nessa linha de trabalho sob as atuais leis de patentes. Para tornar prática essa grande possibilidade, parece que teremos de estabelecer uma espécie de academia de proteção das invenções, que deve recompensar o inventor que transformar o dirigível em sucesso comercial.

"Recentemente eu estive na Flórida e eu vi um grande pássaro - acho que era um abutre - que flutuava no ar por cerca de uma hora inteira sem mover as asas perceptivelmente. Quando Deus fez o pássaro, Ele lhe deu uma máquina capaz de voar, mas Ele não lhe deu muito mais que isso. Ele deu ao pássaro um cérebro muito pequeno com o qual controla os movimentos da máquina, porem deu ao homem um cérebro muito maior em proporção ao do pássaro. "

Sr. Edison não é o primeiro a fazer tal comparação, mas quando ele falou desta forma no outro dia para Santos-Dumont, o aeronauta brasileiro, havia um mundo de significados em suas palavras. O mago dos laboratórios era muito interessado no jovem que maravilhou Paris e o mundo pilotando um dirigível sobre a cidade, não uma, mas várias vezes.

"Você é o único homem que fez tal coisa.", Exclamou o Sr. Edson.

"Tenho certeza que você nunca trabalhou no problema da navegação aérea", respondeu Santos-Dumont ", ou você teria feito anos atrás, mais do que já fiz até agora". O aeronauta não estava tentando ser cortês, ele tem essa grande admiração pelo Sr. Edison e seu gênio inventivo.

"Eu não estou certo sobre isso", disse Edison. "Eu até abordei tal problema certa vez há vários anos e construiu um motor especialmente  leve a ser operado pela explosão da pólvora, experimentei muito em fazê-lo erguer pesos , mas eu trabalhei com um modelo pequeno e não tentei fazê-lo voar. Abandonei estes testes, porque eu tinha uma série de outras coisas para fazer, que eram muito mais rentáveis. "
Santos-Dumont Encontra um apoiador em Edison.

New York Journal - 14 abr 1902

"Eu tive tanto interesse no esquema da máquina voadora de Dumont que eu sugeri a ele a criação de um Aero-Club neste país. Há uma grande quantidade de homens se interessariam em tal empreitada, e provavelmente eu mesmo seria um sócio. “

Famoso navegador aéreo muito satisfeito com sua recepção na casa (de Edson) em Orange NJ – Amanhã ele vai para Washington ".

"Seu modelo em miniatura ainda preso na alfândega."

"A suposta exposição da máquina voadora, que deveria ter sido feita hoje, foi adiada."

O artigo enfatiza o encontro dos dois grandes homens (ontem), quando "O Mágico" conhece melhor o "Rei dos Ares".
Santos-Dumont passou toda a tarde com Thomas Edison sua casa, em Orange, NJ e ficou muito impressionado com as oficinas do Grande Investidor.

No final, Emma Kaufman escreve um artigo "Como Santos-Dumont e visto pelas mulheres"

"Eu te direi," ele continuou de forma sincera, "Se o escritório de patentes apenas protegesse o inventor o bastante o problema da navegação aérea teria sido resolvido há trinta anos atrás."

Deve-se descartar o balão.

Santos-Dumont olhou para Edison com alguma surpresa e virou-se para M. Aime, seu companheiro, para observar que, para que estas leis tivessem sido escritas em bom tempo,  deveriam ter sido escritas antes mesmo de seu nascimento, o Sr. Edison percebeu o desconcerto de seu convidado e disse:

"Mas está tudo bem. Você está no caminho certo. Você construiu um dirigível e você dirigiu-o e você deu um passo em direção à solução final do problema. Mantenha-se nele. Mas livre-se do balão. Reduza-o sempre."

"Você já reparou, o Sr. Edison", perguntou o aeronauta ", que eu estou fazendo o balão menor a cada vez que eu construo um novo dirigível? ".

"Sim, é verdade", respondeu Edison, "mas faça-o ainda menor. Você está indo bem, mas vai levar muito tempo para fazer a coisa comercialmente viável. Quando você tornar a sua porção do balão menor e menor, até que seja tão pequena que você não possa vê-la sem fazer uso de um microscópio, então você terá resolvido o problema. "

Aqui, em poucas palavras, está a solução do Sr. Edison para o problema da navegação aérea. Ele acredita firmemente que esta pode ser resolvida. Mas também acredita firmemente que a solução deve ser alcançada por meio da máquina de voar e não pelo dirigível. Somente com a máquina de voar, diz ele, pode a navegação aérea tornar-se uma realidade tanto segura como comercialmente rentável. Isto ficará claro para o leitor quando for explicado que o termo "dirigível" é aplicado para um mecanismo que, sendo mais leve que o ar, flutua sobre este como um navio flutua na água. Já o termo "máquina voadora", por outro lado, refere-se a forma que esta é usada, de forma que um mecanismo mais pesado do que o ar possa navegar em meio a ele. Em repouso tal aparelho jamais flutuaria, só quando estivesse em alta velocidade, movendo-se em meio ao ar. Na mente de Edison, a navegação aérea é simplesmente uma questão de força motriz devidamente aplicada, para superar a falta de flutuabilidade necessária para fazer o enlevamento de tal máquina e também para mantê-la em movimento a uma determinada posição, a alguns metros de altura sobre a terra.

Ele se refere constantemente a figura do pássaro que qualquer um pode ver subir e voar à vontade.

"Tomemos o caso do abutre", ele disse "aqui há uma máquina natural de vôo que é mil vezes mais pesada que o ar no qual se desloca. Em poucos segundos de vôo pode varrer a uma distância que o homem encontraria repleta de toda sorte de obstáculos e não há praticamente um bater de suas asas nessa operação. Não há nada lá a não ser uma máquina e um pequeno cérebro, e esta não é uma máquina tão notável assim. Por que é que um homem não pode fazer uma máquina voadora tão eficiente quanto o pássaro? Um monte de gente diz que nunca foi concebido a um homem o dom do voo.; que se a natureza quisesse tal coisa, o homem teria sido concebido com a máquina necessária em seu corpo, tal como as aves tem. Mas você poderia muito bem dizer que nunca foi permitido que o homem devesse ter alguma forma de luz, além da luz do sol, da lua e das estrelas que foram originalmente fornecidas para ele, ou que ele não devesse mover-se mais rápido com o auxílio de rodas, porque tais rodas não lhe foram entregues pela natureza.

Nenhuma máquina de vôo elétrico

Alguém perguntou ao Sr. Edison se a sua nova bateria de armazenamento seria de utilidade para resolver o problema da navegação aérea.

"Oh, não, é claro que não", ele respondeu: "Seria muito pesada. Devemos fazer uso da força motriz mais leve possível. Assim, o maior fator deste problema é conseguir um motor muito leve, que será poderoso o suficiente para operar a máquina de voar corretamente. A melhor coisa agora à vista para tal finalidade é a gasolina ou o motor de pólvora, algo que forneça rapidamente força e que, ao mesmo tempo, pese pouco. Santos-Dumont está no caminho certo, a este respeito, a não ser por seu saco de gás. Você não pode controlar um balão numa tempestade de vento. A fim de tornar a aeronave uma possibilidade comercial será necessário fazer a sua operação absolutamente eficiente e a sua utilização segura. A máquina voadora é destinada a ser inventada, mas vai demorar o tempo proporcional a taxa que progredimos no momento. "

Foi sugerido ao Sr. Edison que talvez ele devesse assumir novamente o problema e ajudar em sua solução final.

"Não, eu não vou entrar em nada que não possa ser protegido dos piratas que vivem do trabalho e de invenções dos outros, e eu não acredito que seria possível obter uma patente sobre uma máquina de outros vôos ou uma aeronave ou de qualquer parte de uma que passe pelo teste dos tribunais. Se alguém fizer uma máquina voadora comercialmente bem sucedida, dezenas  de modelos seriam copiados trabalho do inventor original. Não há um juiz no país que possa considerar que houve realmente qualquer invenção de um aparelho, porque muito já foi feito e escrito sobre isso, e o vôo bem sucedido seria feito sobre a luz de invenções anteriores, que ha muito foram acesas. Duvido que algum novo princípio seja descoberto no qual ao menos  um pedido de patente possa ser feito.

"O homem, ou os homens que realmente resolverem o problema de voar pelo ar não descobrirão nada de novo. Maravilhosos e potentes motores de grande compacidade vão ser aplicados a um quadro de extrema leveza e este estará completo. Sem dúvida, este quadro será algo semelhante à estrutura física de um pássaro. Eu não acredito que será difícil, porque temos muitos dispositivos mecânicos, agora, que são superiores aos dispositivos utilizados pela natureza de seres humanos e animais, e não vejo por que não poderíamos desenvolver uma maquina, que seria ao menos igual à “máquina” e ao cérebro de uma ave."

Os esforços do Prof Langley

O Professor S. P. Langley, do Instituto Smithsonian de Washington, foi um dos primeiros homens (nos Estados Unidos) a fazer experiências com máquinas voadoras - Máquinas mais pesadas do que o ar - a não ser que admitamos o Immortal Darius Green ("Darius Green e sua máquina de voar" - famoso poema histórico escrito em 1869 por John Townsend Trowbridge) e sua fictícia maquina voadora em nossa cronologia de experimentos científicos. Professor Langley tinha uma teoria para provar e provou-a. Ele não adentrou em seu “aeródrome” em seus vôos, mas demonstrou, sem sombra de dúvida que o vôo mecânico é possível. Sir Hiram Maxim mostrou isso também com seu “aeroplane”. Como homem de ciência, que tinha muito a fazer, Langley mostrou tudo o que quis. É na hora, agora, de outros tornarem a máquina de voar comercialmente disponível. Foram necessários ao Prof Langley vários anos para desenvolver sua idéia principal, voar, mas durante esses anos, ele chegou a muitas conclusões interessantes que, sem dúvida, serão levadas em conta pelos inventores que estão por vir e prosseguir com a idéia de Edison, de navegar pelo ar.

Em seus experimentos preliminares, o professor Langley mostrou que, desprezando o atrito, que é pouco, uma placa 200-libras poderia ser movida através do ar a uma velocidade de cinqüenta milhas por hora fazendo uso de energia de um cavalo de força. Isso é, o peso uma tonelada poderia deslizar-se horizontalmente através do ar com um motor de apenas 10 cavalos de potência. Em seu dirigível n º 7, Santos-Dumont terá motores de 90 cavalos de potência agregados suficientemente para mover um peso placa plana nove toneladas pelo ar a uma velocidade de cinqüenta quilômetros por hora. A bem da verdade, o Santos-Dumont n º 7 vai pesar quando em queda menos de uma tonelada e quando o saco de gás estiver cheio de hidrogênio toda a máquina terá uma força ascensional de 2.500 libras. Com este equipamento o jovem espera que atingir a velocidade de quarenta e cinco milhas por hora através do ar.

Cartão de Thomas Edison a Santos=Dumont


Deve ser claramente entendido, no entanto, que o tipo de aeronave de Santos-Dumont não pode ser operada mediante um vento forte ou sob efeito dos ventos mutáveis​​, na verdade, o aeronauta não faz qualquer alegação de que ele pode navegar no ar em todos os tipos de clima. Dado tempo justo, Santos-Dumont não irá mais lançar a sua nave e voar sobre cidades e mares, a sensação de medo parece estar inteiramente ausente em seus feitos.

"Eu sempre tenho algo bom para fazer quando estou em minha nave", ele explica, "e eu não tenho tempo para pensar em ter medo. Eu não sei o que é ter medo de cair. "
Experiências de Langley 

Experimentos interessantes

Parece uma crença quase universal de que o próprio ar oferece resistência tremenda para a passagem de qualquer corpo através dele. A bem da verdade, isso não acontece. o pássaro em seu vôo tem sido tanto uma maravilha constante para o homem, bem como promotor inesgotável de esperança de que algum dia, poderemos igualar os seus movimentos aéreos, mas se o ar resiste ao vôo, de acordo com os cálculos.

(Continua na página Sétima.)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O Apartamento de Santos=Dumont em Paris


Dirigível Santos=Dumont Número 9 estacionado em frente ao famoso
endereço de Paris Champs Elysées, 114 ou rue Washington, 5

De acordo com Antonio Sodré, em sua biografia sobre Santos=Dumont “Santos Dumont, Um Heroi Brasileiro” o boato de que Santos=Dumont seria homossexual foi o resultado de uma competição comercial como explica Paul Hoffman em seu livro Asas da Loucura:


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“ Os jornais de Nova York competiam ferozmente entre si para atrair leitores, e o New York Mail and Express enviou um repórter para entrevistar Santos=Dumont em seu apartamento em Paris para que pudesse publicar uma historia exclusiva quando ele chegasse nos Estados Unidos.”

Ainda de acordo com Sodré, Santos era assunto quase que diário nas paginas do jornal concorrente, o New York Herald, por ser uma celebridade e também por ser amigo do proprietário James Gordon Bennett, milionário que vivia em Paris. Naturalmente as noticias de primeira mão sobre o aviador vendiam mais jornais.

Foi quando o editor do New York Mail and Express resolveu empanar o brilho de Santos=Dumont, o próprio jornalista diz:

“o serviço de chá fica em um canto da sala e lá ele bebe com freqüência essa bebida feminina. Tudo na sala é de extremo bom gosto e nada indica, por um momento, um toque masculino”.

Sodré conclui que o jogo de chá, bem como o bom gosto de Santos foi o suficiente para este preconceituoso repórter criar um artigo tendencioso.
A mais exótica invenção de Santos=Dumont, a Mesa de 2 metros de altura e suas cadeiras

Todos os outros jornais trataram nosso herói de forma mais respeitosa tal como esta linda matéria feita pela revista britânica “The Sketch” que vinha encartada na Illustrated London News para cobrir a aristocracia e a alta sociedade da época.

Bom, como estou em meio a um processo criativo, buscando entender a vida do aviador, bem como, criar as ilustrações do meu livro, eu decidi colocar algumas referencias de pesquisa que fiz sobre o apartamento que Santos=Dumont mantinha na Champs Elysées, 114 ou rue Washington, 5 em Paris.
Escritório de S=D
Apartamento nos dias de hoje
papier peint 1
papier peint 2
Maçaneta da porta principal

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Como Santos=Dumont fará seu vôo sobre Nova Iorque



Santos=Dumont voando sobre o globe céleste de la l'Exposition Universelle de 1900 en Paris 
com o seu dirigível Numero quatro.


O sonho de Santos=Dumont de sobrevoar as principais cidades começou em 1900, quando ele voou sobre l'Exposition Universelle com seu dirigível número quatro. Ninguém retratou a aventura de voar sobre as maiores cidades do mundo, tal qual Nova Iorque, como Livingstone Cooper na edição americana da revista Metropolitan.


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Faça uma viagem em um conceito moderno de steampunk vôo de Santos = Dumont em Nova York, disse na iminência de sua visita ao EUA em março de 1902.

Uma viagem aérea acima dos arranha-céus, com Spire de São Paulo como um Turning Stake, e uma vista panorâmica da Brooklyn Bridge.

Por LIVINGSTON COOPER.

Este verão vamos testemunhar em Nova York, a realização daquilo que os criadores de admiráveis imagens há muito tempo começaram a conceber a partir das invenções da imaginação, tornando o ar superior como estrada para viajar. O que Paris já viu, vamos ver, e o homem que conduziu seu dirigível em torno da Torre Eiffel vai fazer um passeio ao redor da torre da St. Paul’s Church o ponto de inflexão em uma viagem aérea cobrindo o comprimento e a largura da ilha de Manhattan. Ele vai navegar entre os arranha-céus, ao arredor dos edifícios históricos, se afastando deles, após o seu contorno, vai refazer o seu curso até o ponto inicial.

Santos=Dumont consulta as horas em seu novo Cartier

Quando Santos=Dumont se elevar no ar em algum lugar na parte alta da cidade, milhões de nova-iorquinos vão lhe desejar boa viagem, e milhões de rostos vão olhar para cima para ver seu vôo. Os gritos de apitos a vapor vão cumprimentá-lo ao longo do caminho, enquanto as janelas e telhados vibrarão com sua visão, como massas acenando lenços e bandeiras.
Dirigível Santos=Dumont Numero Nove atracado em frente a seu apartamento em Paris

Nova York não vai se referir a esta apresentação como uma maravilha, mas simplesmente como uma novidade. Será uma coisa a muito esperada, pois a muito tempo fora prometida. A maravilha é que toda a promessa envolvida em seu primeiro balão, que foi para os ares no século XVIII, permanece apenas parcialmente cumprida nesses primeiros anos do século XX. Nova York vai aceitar o Aeroyacht, quando vier em sua perfeição, tal como ela aceitou o automóvel, dissipando-se a novidade, tornando-a tão familiar como muitas outras coisas são que teriam deixado os nossos bisavós de joelhos em oração pedindo pela proteção contra o poder de tal Belzebu. Nós nem iríamos tentar passar sem qualquer uma dessas coisas maravilhosas um dia se quer, estamos chegando mais uma vez na mesma situação. Santos=Dumont nos trará apenas uma sugestão, afinal de contas, apesar de muito promissora, será uma outra conveniência a qual viemos a sonhar, a qual estamos fadados a possuir algum dia. Por trás do entusiasmo dew participar suas exposições, não haverá mais de exultação sobre a sua realização e do que é esperança acelerada para a solução rápida do problema da dirigibilidade no ar com a liberdade e a rapidez dos pássaros.

Santos=Dumont vai cruzar com seu dirigível a ponte do Brooklyn. O brasileiro ousado é apenas um jovem, mal chegou aos trinta anos, mas ele ainda era um menino, ao qual se podia confiar o acelerador de uma das locomotivas usadas nas vastas fazendas cafeeiras de seu pai, que no momento voa sobre o grande vão do East River, e a maravilha da suas faixas atravessadas por milhões. Já não é uma maravilha para os nova-iorquinos, que estarão aos milhares espalhados em largos promenades e grandes plataformas, vendo o aeronauta em seu vôo. Seus olhares vão segui-lo quando ele passar acima das colossais estruturas montadas, sem que se apercebam do fato de que as duas novas maravilhas estão juntas no mesmo ponto de vista - ambos só prometem aquilo que um dia serão. Eles sabem que em pouco tempo vão caminhar e dirigir em sua grande, nova ponte, mas agora, sua única ambição, como eles vêem a cena, vai ser a de algum dia passar voando por cima dela. Quando algum dia acontecer - mas por que antecipar a decadência da maravilha, em ambiente comum que reuniram o tamanho, a beleza e a velocidade deste ou daquele voador milionário?
Santos=Dumont no St. Paul Building na Bradway com a Ann Street

Uma rota que provavelmente será realizada por Santos=Dumont seria um trajeto rumo ao porto e a baía. Isso seria interessante de muitas maneiras, e o vôo da aeronave em torno da estátua da liberdade, ou mais para baixo, cruzando o Narrows e para trás, seria um estranho contraste que a nova embarcação apresentaria para com a frota de embarcações a vapor, que tentariam acompanhar o ritmo dele sobre as águas do porto e da baía.

Das margens pareceria um pássaro gigante pairando no ar sobre a frota. Ainda mais emocionante que a exibição deveria ser se o aeronauta se colocasse em velocidade para tentar conclusões com alguns dos rápidos iates a vapor ou grandes barcos de passageiros. A aeronave contra um dos barcos palacianos que cruzam entre Nova York e Atlantic Highlands poderia ser uma bela prova. Valeria a pena viajar quilômetros para assistir. A viagem para cima e para baixo do Hudson seria uma outra demonstração na qual Santos=Dumont poderia exibir as habilidades de seu ofício. A aeronave voando lado a lado com as paredes íngremes das Palisades seria uma cena estranhamente pitoresca.

Quais quer que seja as viagens decididas pelo aeronauta, durante sua estadia em Nova York, nenhuma seria mais interessante do que aquelas que seriam realizadas sobre a cidade em si. A elas não vai faltar o elemento da excitação, para os prédios altos , isolados ou em grupos, em várias seções de Nova York e Brooklyn, serviriam como balizadores de uma grande variedade de cursos. Estes podem ser definidos com vista a testar a dirigibilidade da aeronave em qualquer direção possível em uma viagem única, proporcionando indicações definitivas sobre o grau de controle possível sob quaisquer condições oferecidas. Manobras triangulares, de quatro pontas, cursos de frente e verso, em ziguezague, com pontos pré-demarcados, as performances do dirigível serão tidas com de grande valia, e as possibilidades que existem nesse feito são de grande importância se viagem aérea vier a se concretizar, mesmo se para fins de lazer, a coisa pratica que o mundo estava procurando. A aeronave pode ser ainda mais desenvolvida do que Santos=Dumont já fez, e ainda ser apenas mais um brinquedo para os mais aventureiros. Mas não vai cumprir a sua missão até que, como o automóvel, possa ser desenvolvida de alguma forma para servir a propósitos mais úteis.


Esta é uma visão mais séria do assunto, no entanto, do que será tratada pela multidão, cujos olhos seguirão Santos=Dumont em suas viagens aventureiras, cujas vozes vão subir na forma de ruidosa saudação de todos os pontos onde as pessoas vão em massa para observá-lo. Serão vibrantes de excitação quando seu dócil leviatã do ar descer rapidamente das claras alturas para escolher seu caminho dentre as estruturas imponentes e se deslocar de forma errática rumo a algum ponto demarcado. Não incorrerá em qualquer risco para ministrar o seu apetite pela sensação. A forma de prevenção de desastre será a glória do momento. No entanto, a completa glória de seu significado virá mais tarde com a sóbria reflexão sobre o que isso traz à humanidade em sua constante busca por acelerar o progresso, que despreza os limites.



Infelizmente, esse vôo sobre Nova Iorque nunca aconteceu!